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20% das alunas de 13 a 17 anos já sofreram violência sexual no Brasil

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20% das alunas de 13 a 17 anos já sofreram violência sexual no Brasil (Foto: Element5 Digital/Unsplash)

20% das alunas de 13 a 17 anos já sofreram violência sexual no Brasil (Foto: Element5 Digital/Unsplash)

Cerca de 20% das alunas brasileiras de 13 a 17 anos afirmam já ter sofrido algum tipo de violência sexual na vida, incluindo toques, manipulações, beijos ou exposição de partes do corpo contra sua vontade. O dado é da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, divulgada nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileito de Geografia e Estatística (IBGE), que ouviu quase 188 mil estudantes do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.

De acordo com a pesquisa, 9% dos meninos alegam já ter passado por uma dessas situações. Entre as garotas, o número de estupros (ato de violência sexual de maior gravidade) também é maior: 8,8% contra 3,7% entre os garotos. Em ambos os grupos, os estudantes de 16 a 17 anos são os mais vulneráveis à violência sexual (17,4%) em comparação com os de 13 a 15 anos (13,2%). A maioria das vítimas vive na região Norte, sendo o maior percentual registrado no estado do Amapá: 18,2%.

Com garantia de anonimato nas respostas, os entrevistados também listaram seus principais agressores: namorado ou namorada (29,1%), amigos (24,8%) e desconhecidos (20,7%). Na sequência, foram citados outros familiares além de pai e mãe (16,4%), outras pessoas (14,8%) e, por último, pai, mãe ou responsável (6,3%).

A sondagem revela ainda dados relevantes sobre a saúde dos estudantes brasileiros dessa idade. Em 2019, 63,3% deles já haviam tomado uma dose de bebida alcoólica, sendo que 47% afirmam já ter tido episódios de embriaguez — em 15,7% desses casos, o álcool desencadeou problemas com a família, perda de aulas ou brigas. Cerca de 23% dos escolares também já disseram ter experimentado cigarro, metade deles com idade inferior a 14 anos. O uso de drogas ilícitas em algum momento da vida foi registrado por 13% dos alunos e alunas.

Enquanto 49,8% dos estudantes de 13 a 17 anos consideram seu corpo normal, 28,9% deles se autodeclaram como “magros ou muito magros” e 20,6% se acham “gordos ou muito gordos”. Entre os matriculados na rede privada, 35,6% consomem habitualmente legumes e verduras, ao passo que 27,7% dos alunos de escolas públicas o fazem. Já o consumo habitual de refrigerante caiu de 27,2% para 17,2% entre 2015 e 2019. 

No âmbito da saúde mental, um dado é alarmante: 21,4% dos estudantes afirmam sentir que “a vida não vale a pena ser vivida”, sendo 29,6% das meninas e 13% dos meninos. Além disso, 23% se sentiram humilhados pelos colegas nos 30 dias que antecederam a distribuição dos questionários pelo PeNSE. Mais uma vez, o percentual das meninas superou o dos meninos: 26,5% contra 19,5%, respectivamente.

Gravidez na adolescência

A pesquisa também revela que 35,4% dos escolares já haviam tido sua primeira relação sexual em 2019. Cerca de 63% deles utilizaram preservativo na ocasião, enquanto 40,9% não se protegeram. Quase 80% deles usaram um método contraceptivo diferente da camisinha, incluindo pílula anticoncepcional (52,6%), pílula do dia seguinte (17,3%) e contraceptivos injetáveis (9,8%).

Entre as meninas que já iniciaram a vida sexual, 7,9% afirmam ter engravidado ao menos uma vez na vida. A incidência é três vezes maior na rede pública: 8,4% contra 2,8% entre as alunas da rede privada. Considerando as diferenças regionais, a maior taxa de gravidez na adolescência foi registrada no Nordeste (10,9%), com destaque para o estado de Alagoas, que atingiu o índice de 15,3%. No outro extremo, a região Sul e o estado de Santa Catarina apresentam os menores índices: 5,2% e 3,7%, respectivamente.

Desigualdade no acesso

Dos entrevistados pelo PeNSE, 84,1% têm aparelho celular, sendo que, desses, 95,7% são alunos da rede privada e 82,2% das escolas públicas. A diferença é mais perceptível quando questionados sobre a posse de um computador ou notebook: o equipamento está presente em 89,6% dos lares de estudantes dos colégios particulares, e em menos da metade (49,7%) dos da rede pública.  

Educação financeira nas escolas está formando jovens mais conscientes (Foto: Santi Vedrí/Unsplash)

Dos entrevistados pelo PeNSE, 84,1% têm aparelho celular, sendo que, desses, 95,7% são alunos da rede privada e 82,2% das escolas públicas. (Foto: Santi Vedrí/Unsplash)

Na realidade pré-pandêmica, recursos de multimídia (como computadores ou tablets) podiam ser encontrados na sala de aula de 74,7% dos estudantes, sobretudo nas escolas privadas. Esses itens estão disponíveis em 87,1% das escolas do Sul; no Norte e Nordeste, estão em cerca de 61% das instituições. A disponibilidade de sala ou laboratório de informática foi registrada por 62,8% dos estudantes, sendo 73,6% na rede privada e 61% na rede pública. 

Higiene bucal e vacinação

De acordo com a pesquisa, 68,6% dos estudantes fazem higiene bucal três vezes ou mais ao dia. O percentual é superior ao dos Estados Unidos e da Europa — onde a frequência mais comum é de uma a duas vezes ao dia —, mas diminuiu em comparação a 2015, quando 71,7% deles o faziam.

Estudo demonstra que a raiz dos dentes traz marcas de eventos importantes de nossas vidas (Foto: Pixabay)

De acordo com a pesquisa, 68,6% dos estudantes fazem higiene bucal três vezes ou mais ao dia (Foto: Pixabay)

A investigação também constatou que, entre as meninas, 76,1% haviam se vacinado contra o vírus do HPV, mas só 49,1% dos meninos o fizeram. Uma parte significativa não recebeu o imunizante (13,9%) ou não sabia se havia tomado (23,2%). 

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