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6 afrescos roubados em Pompeia entre 1970 e 2012 são recuperados

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Acima, um dos afrescos recuperados pela polícia italiana em julho de 2020: um querubim nu tocando flauta (Foto: Pompeii Archeological Park)
Acima, um dos afrescos recuperados pela polícia italiana em julho de 2020: um querubim nu tocando flauta (Foto: Pompeii Archeological Park)

Graças a duas operações coordenadas pelo esquadrão de proteção ao patrimônio cultural da Itália, seis afrescos roubados ao longo dos últimos 50 anos das ruínas de antigas vilas romanas retornaram ao Parque Arqueológico de Pompeia na última terça-feira (18). Enquanto três deles teriam sido alvo de atividades de tráfico internacional na década de 1970, os outros três reveleram um esquema de escavação ilegal, em 2012.

Obscurecido por chapas de metal, sujeira e plantas, o buraco onde foram recuperados três dos afrescos está localizado na vila Civita Giuliana, cerca de 800 metros a noroeste do sítio arqueológico de Pompeia – cidade conhecida por preservar vestígios de algumas das cerca de 2 mil vítimas da erupção do Monte Vesúvio, ocorrida no ano de 79 d.C.

A descoberta, feita por soldados da Unidade Carabinieri de Proteção do Patrimônio Cultural de Nápoles em julho de 2012, flagrou um esquema de escavação clandestina de bens arqueológicos na região. Segundo a polícia italiana, os supostos ladrões – atualmente sob processo criminal – planejavam exportar as obras de maneira ilegal.

Acima, um dos afrescos recuperados pela polícia italiana em julho de 2020: uma dançarina com uma bandeja em mãos (Foto: Pompeii Archeological Park)
Acima, um dos afrescos recuperados pela polícia italiana em julho de 2020: uma dançarina com uma bandeja em mãos (Foto: Pompeii Archeological Park)

O objetivo era o mesmo por trás dos outros três afrescos que, de acordo com a investigação, teriam sido roubados durante a década de 1970. Recuperados pela polícia italiana em julho de 2020, acredita-se que as obras foram retiradas de duas casas romanas em Estábia – uma cidade antiga a cerca de 4 quilômetros a sudoeste de Pompeia –, contrabeadas e traficadas para colecionadores nos Estados Unidos, na Suíça e na Inglaterra.

Enquanto uma das obras mostra uma dançarina com uma bandeja em mãos, a outra expõe uma mulher com folhas de louro enroladas na cabeça e a última, por sua vez, um querubim nu tocando flauta. “A devolução desses fragmentos é significativa por diversos motivos”, avalia Massimo Osanna, diretor geral de museus do Ministério da Cultura da Itália. “Um contexto arqueológico que havia sido violado está sendo recomposto em ambos os casos e isso permite restaurar a integralidade da escavação”, acrescenta, em comunicado.

Acima, um dos afrescos recuperados pela polícia italiana em julho de 2020: uma mulher com folhas de louro na cabeça (Foto: Pompeii Archeological Park)
Acima, um dos afrescos recuperados pela polícia italiana em julho de 2020: uma mulher com folhas de louro na cabeça (Foto: Pompeii Archeological Park)

Para o comandante do esqaudrão Carabinieri, Roberto Riccardi, a iniciativa também reforça a responsabilidade da polícia na proteção do patrimônio cultural de uma nação. “A cultura que pretendemos valorizar é também a da legalidade”, afirma, em nota

A descoberta dos seis afrescos também abriu as portas para que arqueólogos mapeassem outros vestígios na região. Em novembro de 2020, por exemplo, eles encontraram os corpos de duas pessoas que morreram lado a lado na tragédia do Vesúvio: um homem de cerca de 35 anos e um jovem entre 18 e 25 anos, ambos congelados. O mais novo seria um trabalhador braçal, escravizado pelo mais velho. “Cada achado constitui uma parte importante da história e do conhecimento de um lugar e deve sempre ser protegido e preservado”, diz Osanna.

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