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Arqueólogos encontram 119 crânios em torre de templo asteca no México

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Arqueólogos encontram parte de torre de crânios em templo asteca no México (Foto: Instituto Nacional de Antropología e Historia)
Arqueólogos encontram parte de torre de crânios em templo asteca no México (Foto: Instituto Nacional de Antropología e Historia)

Arqueólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah), no México, descobriram os resquícios de parte do templo Huei Tzompantli, da antiga cidade de Tenochtitlán, onde atualmente é a Cidade do México. A estrutura, que foi construída em algum momento entre os séculos 14 e 16, era uma torre circular composta de crânios humanos e tem 4,7 metros de diâmetro.

“A cada passo, o Templo Mayor continua nos surpreendendo; e o Huei Tzompantli é, sem dúvida, um dos achados arqueológicos mais impressionantes dos últimos anos em nosso país, pois é um importante testemunho da força e da grandeza que alcançou o México-Tenochtitlán”, disse Alejandra Frausto Guerrero, secretário de cultura do governo do México, em comunicado.

Segundo os pesquisadores, as evidências mostram que quando a cidade caiu nas mãos dos soldados espanhóis e de seus aliados indígenas, houve a destruição da maior parte da última fase de construção do Huei Tzompantli. Por isso, boa parte dos crânios da torre foram destruídos e os fragmentos ficaram espalhados pelo sítio arqueológico.

Até o momento, os pesquisadores escavaram a área até uma profundidade de 3,5 metros e já conseguiram identificar três etapas de construção. Na última fase de pesquisas, foram encontrados 119 crânios humanos da secção oriental da torre, que se juntam aos 484 identificados anteriormente.

Estrutura provavelmente foi destruída com a chegada dos colonizadores espanhóis (Foto: Instituto Nacional de Antropología e Historia)
Estrutura provavelmente foi destruída com a chegada dos colonizadores espanhóis (Foto: Instituto Nacional de Antropología e Historia)

Os especialistas dizem que na fachada existem crânios masculinos e femininos e de pelo menos três crianças bem novas, com dentes em desenvolvimento. Modificações cefálicas tabulares eretas e tabulares oblíquas também são observadas, indicando que os indivíduos realizavam essa atividade como parte de suas práticas culturais e identitárias.

“Embora esses indivíduos são uma importante amostra da população do período pós-clássico”, observou Lorena Vázquez Vallín, uma das pesquisadoras. “Cada um desses crânios forma um elemento arquitetônico que faz parte do edifício e de seu discurso simbólico.”

Na Mesoamérica, o sacrifício ritual era visto como a forma de manter os deuses vivos e, portanto, a existência do Universo continuava. Além de templo, esse imponente monumento também era uma declaração de poder aos inimigos de guerra. É provável que muitos dos indivíduos, capturados em combate, tenham sido sacrificados como nextlahualtin (pagamento de dívidas), favorecendo os locais, de acordo com sua crença.

“Embora não possamos determinar quantos desses indivíduos eram guerreiros, talvez alguns fossem cativos destinados a cerimônias de sacrifício. Sabemos que foram todos consagrados, ou seja, foram transformados em presentes para os deuses ou mesmo personificações das próprias divindades, para os quais foram vestidos e tratados como tal”, explicou o arqueólogo Raúl Barrera Rodríguez.

 (Foto: Instituto Nacional de Antropología e Historia)
(Foto: Instituto Nacional de Antropología e Historia)

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