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Barroso diz que há ingenuidade em usar voto impresso para auditoria de eleição

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O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Roberto Barroso, disse nesta 6ª feira (18.jun.2021), que há “uma certa ingenuidade” em considerar o voto impresso como um mecanismos de auditagem das eleições.

“Nós temos a expectativa de 140, 150 milhões de eleitores, agora em 2022, então vamos ter 150 milhões de votos de papel, que vão ter que ser transportados para algum lugar, num país em que se rouba carga e que tem milícia no Rio, PCC em São Paulo e Amigos do Norte por aí a fora. Depois de transportar nós vamos ter quer armazenar”, afirmou o ministro. Barroso concedeu uma entrevista à rádio Eldorado FM, na manhã desta 6ª feira (18.jun.2021).

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Segundo o magistrado, o voto impresso só tem sentido na recontagem, o que seria um “inferno existencial”. “É um mundo em que nós vivíamos antes das urnas eletrônicas, que são aquelas mesas apuradoras, todo mundo manuseando voto, e aí aparece voto, some voto, some urna. Foi disso que nós nos livramos e é a isso que nós corremos o risco de retornar”. 

Barroso declarou que nunca se registrou nenhum tipo de fraude no voto eletrônico. “Com voto impresso nós temos uma longa história de fraudes, que vêm desde o Império”. 

“Na eleição que eu presidi, no ano passado, nós tínhamos mais de 400.000 candidatos. Se 10% pedirem recontagem, nós estamos falando de 40.000 processos de recontagem. E se o [candidato] derrotado a presidente pedir recontagem, nós estamos falando da contagem manual da 150 milhões de votos”. 

O ministro também falou que custaria aproximadamente R$ 2 bilhões para acoplar impressoras às cerca de 500.000 urnas eletrônicas. Barroso também citou encontros que teve com presidentes e líderes de legendas contrários ao voto impresso. “O PT é totalmente contra. O MDB é contra. O PSDB é contra e o DEM é contra”. 

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p class=”p1″>“Algumas pessoas têm a crença de que se criarem o voto impresso, vão eliminar o discurso de que ‘se eu perder, houve fraude’. Na verdade eles vão potencializar esse discurso. Lembrando que nos Estados Unidos o voto é impresso, e isso não impediu que presidente Donald Trump dissesse que houve fraude, que foi ele quem ganhou, como que ele ajuizasse 50 ações”, afirmou.

O presidente do TSE ainda disse que há risco de uma imensa judicialização das eleições se houver diferença entre os votos eletrônico e impresso. “Esta contagem manual numa eleição polarizada, em que as pessoas estão fanatizadas e dispostas a fazer qualquer papel, nós vamos correr o risco muito grande de ter, na contagem manual, uma discrepância em relação ao voto impresso”.

Uma proposta de emenda constitucional (PEC) 135/19, discutida no Congresso, tenta implementar a adoção do voto impresso, mas o TSE já sinalizou que não haverá tempo para implementação nas eleições de 2022, mesmo que aprovada na Câmara e no Senado.

A deputada Bia Kicis (PSL-DF), presidente da CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara), disse na 2ª feira (14.jun) que o voto impresso auditável deverá conseguir votos suficientes para ser aprovado até a 1ª quinzena de julho na Câmara dos Deputados.

A nossa data no plenário será no início de julho. Tive reunião com o relator e o presidente da comissão [especial que trata sobre o assunto]. Até o finalzinho de junho, inicio de julho votaremos na comissão especial. No plenário, na 1ª quinzena, antes do recesso. Depois, a proposta irá para o Senado”, afirmou.

Presidente do TSE de abril de 2012 a novembro de 2013, a ministra do STF Cármen Lúcia já comentou as críticas à segurança da urna eletrônica e a defesa do voto impresso. Para ela, não há um debate sobre o tema, e sim pessoas falando sozinhas contra um processo que nunca teve burlas comprovadas.

“Isso não é um debate. É uma fala. Não se debate algo que está dando certo. A urna eletrônica foi uma construção a que o brasileiro aderiu porque tem segurança. Cabe saber a quem interessa esse tipo de fala e por que interessa. A Justiça Eleitoral é respeitada. A construção dessa opção eletrônica foi feita paulatinamente, com a participação não só das instituições estatais, mas da sociedade brasileira”, afirmou.

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