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Brasil é potência em medicina personalizada na América Latina, diz estudo

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Brasil é potência em medicina personalizada na América Latina, diz estudo (Foto: DrAfter123 / Getty Images)

Brasil, Argentina, Colômbia, Costa Rica e Uruguai são os cinco países latino-americanos “prontos para decidir” na adoção da medicina personalizada, conclui relatório publicado na The Economist Intelligence Unit na última semana e patrocinado pela farmacêutica Roche Foundation Medicine. Segundo o levantamento, estes países têm avançado em quatro áreas importantes para a consolidação de políticas públicas que visem a personalização de tratamentos e diagnósticos. São elas: governança, conscientização e atitudes, infraestrutura, e administração financeira.

“O Brasil está bem posicionado no grupo de países que está apto a desenvolver a medicina personalizada, principalmente na saúde suplementar [operação de planos de saúde], com a incorporação de medicamentos direcionados a alvos terapêuticos”, afirmou em coletiva de imprensa Clarissa Mathias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), que atuou na construção do estudo junto ao The Economist.

Tendência mundial, a medicina personalizada nada mais é do que uma transição da aplicação de poucas soluções médicas que sirvam para muitas pessoas para um atendimento mais individualizado. Ou seja, ela visa o diagnóstico e tratamento adequado para o paciente certo no momento oportuno. Hoje, as áreas da oncologia e de doenças raras são as que mais têm crescido nesse sentido, mesmo que as iniciativas ainda sejam pontuais.

Entre os principais entraves no desenvolvimento dessa abordagem na América Latina, o relatório identificou que, em termos de governança, há uma fraca vontade política e falta de uma visão holística da saúde e de capacidade de apoiar a inovação necessária para a personalização. Outro desafio é conscientizar profissionais e a população em geral sobre os benefícios dessa abordagem — segundo o levantamento, aqueles que a conhecem são bastantes engajados em sua implantação.

Instalações do laboratório de genética, avaliação de tecnologias em saúde (ATS) e financiamento são outros pontos a serem melhorados. Ainda assim, o nível dos dados de pacientes necessários para cuidados de saúde personalizados têm avançado na região. Nesse sentido, além dos cinco países indicados como potências na medicina personalizada, o estudo também menciona Chile e México como nações que estão “reforçando suas fundações” no assunto e Equador e Peru como países que estão começando nessa jornada.

Desafios nacionais

No Brasil, particularmente, são necessárias melhorias em registros eletrônicos e na compilação de dados e acesso aos exames de perfil molecular de pacientes. Além disso, técnicas de medicina personalizada são mais comuns no setor privado do que no sistema público de saúde, mesmo que algumas instituições públicas sejam referência na abordagem.

Quando o assunto é avaliação de tecnologias em saúde (ATS), entretanto, o Brasil é apontado como um dos principais modelos na América Latina. A ATS é uma ferramenta que ajuda os sistemas de saúde a selecionarem racionalmente quais intervenções personalizadas podem ser oferecidas de forma assertiva para toda a população.

Além disso, especialistas também destacam o crescimento da participação e relevência do Brasil em pesquisas clínicas. “Instituições internacionais sempre olham para o país de forma positiva porque temos uma alta técnica e capacidade de conhecimento científico aqui”, diz Marcelo Oliveira, head de medicina personalizada da Roche Farma Brasil. “Estudos clínicos podem ajudar pessoas a terem acesso a tratamentos que muitas vezes elas não teriam  condições de obter. Temos todas as condições para realizar ensaios bem conduzidos, e isso ajuda o paciente no fim do dia.”

O levantamento também ressalta que a incorporação de novas tecnologias no país triplicou durante os cinco anos seguintes à criação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias em Saúde do Brasil (Conitec), em 2011, em comparação com os cinco anos anteriores.

Galileu