ciência

Câncer que atingiu Bruno Covas é mais comum em homens; entenda riscos

109views
Bruno Covas foi prefeito da cidade de São Paulo (Foto: Reprodução / Instagram)
Bruno Covas foi prefeito da cidade de São Paulo (Foto: Reprodução / Instagram)

Prefeito licenciado da cidade de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) faleceu neste domingo (16), aos 41 anos, devido a um câncer no trato digestivo. Há apenas dois dias, um boletim médico havia apontado que o quadro clínico do político era irreversível.

Covas iniciou o tratamento em 2019, quando foi descoberto um adenocarcinoma na região entre o esôfago e o estômago dele. No mês passado, exames também apontaram que havia novos tumores nos ossos e no fígado.

O político tornou-se prefeito da capital paulistana após a renúncia de João Doria em 2018, e foi reeleito no ano passado. Ele havia se licenciado há duas semanas para focar em seu tratamento. Dessa forma, quem assumiu a prefeitura de São Paulo foi Ricardo Nunes (MDB).

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de esôfago é o oitavo mais frequente no mundo, e tem incidência em homens duas vezes maior do que em mulheres. Estima-se que a doença tenha matado 8.716 pessoas no Brasil em 2019.

As estatísticas de câncer de estômago também trazem os homens como as maiores vítimas – principalmente os que têm entre 60 e 70 anos.  Em 2020, por exemplo, dos 21 mil novos casos identificados em território brasileiro, 62% eram de pacientes desse grupo. É estimado que 15 mil pessoas tenham falecido por causa da doença em 2019.

Quais são os sintomas?

O câncer de esôfago não dá sinais quando está em fase inicial. Porém, conforme progride,  ele pode provocar dores torácicas e retroesternais (parte atrás do osso do meio do peito), perda de apetite e náuseas. Além disso, na maior parte dos casos, a dificuldade para engolir surge quando o indivíduo já está com a doença em estado avançado.

O câncer no estômago também pode causar fadiga, perda de peso e de apetite, náuseas e um desconforto abdominal persistente.

Quais são os fatores de risco?

Há diversos fatores que aumentam a chance de desenvolver o câncer no esôfago. São exemplos o consumo frequente de bebidas muito quentes (a 65ºC ou mais); o excesso de gordura corporal; o consumo de bebidas alcoólicas e de carnes processadas, como salsicha e presunto; o tabagismo (25% dos casos da doença são devido ao fumo); e infecção pelo Papilomavírus humano (HPV).

No caso do câncer no estômago, o excesso de peso, o tabagismo e o consumo de álcool também aumentam os riscos, assim como o consumo excessivo de sal, a ingestão de água de poços com alta concentração de nitrato e exposição ocupacional à radiação ionizante (raios X e gama) e a agrotóxicos.

Dessa forma, é aconselhável evitar o álcool, as bebidas em altas temperaturas, os alimentos muito salgados e o cigarro (o tabagismo passivo também é perigoso), manter um peso corporal adequado e usar camisinha em relações sexuais.

Praticar exercícios físicos regularmente e consumir mais vegetais e frutas e menos gorduras e carne vermelha também reduzem os riscos de desenvolver um câncer no esôfago.

Qual é o tratamento?

A quimioterapia, a radioterapia e a cirurgia são algumas das alternativas para combater o câncer no esôfago. Além disso, médicos podem recomendar tratamentos paliativos (isto é, que não visam a cura), como colocação de próteses para evitar o estreitamento do esôfago e dilatações com endoscopia.

Quando o câncer de estômago está limitado ao órgão, é possível tratar com uma cirurgia e com a quimioterapia. No entanto, quando o tumor não pode ser removido cirurgicamente ou quando a doença se espalha pelo organismo, o tratamento é paliativo.

Galileu