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Centrão dá ‘maioria estável’ a governo, diz Mourão

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O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, avalia que a aliança entre o Planalto e o bloco de partidos conhecido como Centrão é necessária para uma “maioria estável” no Congresso.

Hoje em dia, da forma como está estruturado o Congresso brasileiro, fragmentado como é, se você não tiver o apoio desses partidos do Centrão, você não consegue ter uma maioria estável”, disse em entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, apresentador do programa Poder em Foco, uma parceria editorial do SBT com o jornal digital Poder360.

Assista à entrevista gravada em 31 de agosto de 2020 (50min05s):

Para o general, Bolsonaro errou ao tentar negociar o apoio a projetos do governo com bancadas temáticas do Legislativo no início do mandato. Isso porque esses grupos têm representantes de partidos diversos e muitas vezes não votam como 1 bloco único.

“No 1º momento o presidente julgou que por meio das bancadas temáticas, que são integradas por diversos partidos, ele conseguiria atingir esse objetivo. E também não foi feliz, ele sabe disso.”

Para Mourão, a administração de Bolsonaro teve a virtude de identificar a ineficácia da estratégia de articulação política inicial e redirecionar os esforços. Na opinião do vice-presidente, a mudança não é incoerente com o discurso de renovação política pregado pelo presidente.

“A nova política, que o presidente sempre advogou, o ponto focal dela é nós não estarmos envolvidos em corrupção. Esse era o ponto focal”, disse.

Mourão refere-se à prática de entregar partes do governo, como estatais e ministérios inteiros, nas mãos de políticos. Segundo ele, esse tipo de prática não existe hoje como ocorreu em administrações anteriores –levando a escândalos de corrupção.

O vice-presidente diz que a maioria necessária para aprovar projetos de interesse do Executivo obriga o Planalto a “jogar com as peças que estão no tabuleiro”. Segundo ele, Bolsonaro tem “faro político” muito bom e reorientou o governo em relação ao seu 1º ano.

Mourão também preside o Conselho da Amazônia, órgão criado no começo do ano com o objetivo de centralizar a política de proteção da floresta.

A ação veio depois de o governo ser duramente criticado pelo aumento da ocorrência de queimadas e de desmatamento na região.

O número de focos de queimadas registradas na Amazônia aumentou 30% em 2019, na comparação com 2018. Foram registrados 89.178 focos de chamas no bioma, contra 68.345 no ano anterior.

Dados do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais) mostraram, já em fevereiro deste ano, que 284,27 km² de floresta estavam sob alerta de desmatamento.

O número foi o maior para o mês de janeiro desde o início da série histórica, em 2016. Comparado com janeiro do ano passado, houve aumento de 108% na extensão em alerta.

Questionado a respeito da atuação do conselho, Mourão disse que o governo errou ao demorar muito para reagir. Outro ponto que tem influenciado negativamente o trabalho, segundo ele, é a falta de pessoal.

O vice-presidente afirmou que o governo recebeu de administrações passadas o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) só com metade do quadro de funcionários.

Esse cenário não deve mudar até pelo menos 2022, segundo Mourão. Isso porque não há previsão de o governo realizar concurso para as autarquias no ano que vem. É preciso aval da área econômica, que não constou da proposta orçamentária para 2021 enviada ao Congresso no começo da última semana.

“Não vejo ainda sinal verde para que a gente faça 1 concurso para o ano que vem. Podemos, no ano de 2021, montar 1 edital e aí acertarmos com a área econômica a entrada desse novo grupo de funcionários para 2022”, declarou.

Para compensar a falta de pessoal, o governo tem usado as Forças Armadas nas fiscalizações e ações na região. Segundo Mourão, esse artificio continuará a ser empregado no próximo ano.

Operações já foram contestadas por associações de ambientalistas, pois não tem havido resultado satisfatório até agora.

SALLES E DESMATAMENTO

 O vice-presidente admite que o aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia pode estar ligado à atitude do governo. Para ele, houve uma expectativa de ampla liberação de terras sem documentação.

“Acredito que talvez aí por uma expectativa de que haveria, vamos dizer assim, uma liberação de reconhecimento de terras ocupadas, houve esse avanço exponencial. Esse aumento exponencial do desmatamento. E nós custamos a dar uma resposta efetiva.” 

 Essa demora em reagir ao problema ambiental, de acordo com Mourão, talvez impacte nos números deste ano. O general diz que a sociedade “pode cobrar” a partir de 2021, quando o governo estará agindo desde janeiro. Nesse ano, o combate começou só em maio.

“Necessariamente [terão que ter números melhores]. Nós temos que intensificar essas ações usando aí as nossas agências ambientais, mesmo com pouco efetivo que elas têm”, declarou.

A ideia seria usar os militares em operações mais pontuais e com menos efetivo do que vem sendo empregado. Segundo Mourão, em “meia dúzia” de localidades estão concentradas 80% das ilegalidades relacionadas ao tema.

Entre as regiões mais problemáticas estão Rondônia, sul do Amazonas, sul do Pará, norte de Mato Grosso.

Mourão elogiou o trabalho do ministro Ricardo Salles, alvo de críticas no comando da pasta em meio ao aumento dos dados de deterioração da floresta. Para ele, Salles tem uma visão econômica para solucionar o problema ambiental.

“Eu concordo com ele [Salles] quando ele diz que a repressão pura e simples às ilegalidades, ao desmatamento e à queimada não vai resolver o problema”, disse.

“Será 1 eterno jogo de gato e rato. Nós temos que oferecer condições para que as pessoas que moram na Amazônia tenham emprego, tenham uma renda. E, com isso, atingir níveis de desenvolvimento maior”, continuou.

Ele disse que Ricardo Salles tem a confiança do presidente Jair Bolsonaro e nega que haja a necessidade de se fazer uma adequação de discurso pelo governo.

 SATÉLITE PRÓPRIO É SOBERANIA

 O Ministério da Defesa pretende gastar R$ 145 milhões com a aquisição de microssatélites a serem usados por um órgão vinculado à pasta. A informação está disponível publicamente no SIOP (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento do Governo Federal).

Questionado se já não há outros meios de fazer o monitoramento efetivo da floresta, Mourão afirmou que ter novos satélites vai além de fiscalizar queimadas e desmatamento. Segundo ele, é uma questão de “soberania nacional”.

“Nós temos que lembrar que num eventual problema de conflito, hoje, uma situação, vamos dizer, de calamidade internacional, e nós temos de deter a capacidade de monitorarmos o nosso território, e não dependermos de terceiros países.”

 O Brasil já tem sistemas de monitoramento por satélites em funcionamento. Desde 1988, os dados de desmatamento na Amazônia são publicados no site do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações.

De acordo com o Ministério da Defesa, os microssatélites conseguem captar imagens mesmo numa região com nuvens, em uma tecnologia conhecida como satélite-radar.

Apesar de já existir esse sistema de monitoramento no Brasil, Mourão declarou que o Inpe tem limitações. Segundo ele, os satélites sem a tecnologia radar mostram imagens com atraso, o que atrapalharia na fiscalização.

“O Inpe ainda se ressente de uma maior capacidade de análise por precisar de investimentos maiores na área de tecnologia de modo que a análise dessas imagens seja feita por algoritmos e por inteligência artificial e, com isso, dando mais velocidade”, completou.

 JBS E MARFRIG PODEM AJUDAR

Mourão disse que empresas sediadas ou com negócios na Amazônia também devem participar da proteção e do desenvolvimento da região. Citou a JBS e a Marfrig, do ramo de proteína animal, como exemplos.

Segundo ele, há 1 projeto das duas empresas de mapear o gado na região usando chips com geolocalização. Isso daria uma garantia de que o produto, depois de abatido e vendido, não teria passado por nenhuma área de desmatamento ilegal.

“Isso será extraordinário para a sustentabilidade da Amazônia e também para melhoria da imagem do Brasil fora…É uma ferramenta extraordinária de pressão para que todos os criadores se adequem à legislação”, declarou.

O vice-presidente diz que o Conselho da Amazônia está aberto para receber propostas e ideias do setor privado. Para ele, só com o mercado de crédito de carbono, a região seria capaz de arrecadar R$ 10 bilhões por ano.

“Seria 1 recurso muito bom para investirmos na bioeconomia, na biodiversidade amazônica, em projetos de infraestrutura sustentável e outros investimentos necessários para o desenvolvimento da região.”

 ELEIÇÕES 2022

 O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse que Jair Bolsonaro ainda não tem hoje concorrentes para as eleições de 2022. Para ele, o PT, que chegou ao 2º turno em 2018, não conseguiu criar 1 novo líder que suceda o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Não surgiu nenhuma liderança dentro do Partido dos Trabalhadores capaz de ter a mesma atração para o eleitorado que o ex-presidente Lula tinha… Hoje eu vejo que o nosso presidente está correndo numa raia única e com boa velocidade.” 

O general avalia que o PT perdeu força nos últimos 2 anos porque ficou muito dependente da figura de Lula. Mesmo que o ex-presidente tente emplacar como herdeiro Fernando Haddad –chamado de “poste” por Mourão–, o vice-presidente declarou que não há quem consiga disputar com Bolsonaro.

Bolsonaro fala abertamente que disputará a reeleição daqui a 2 anos. Em maio, chegou a dizer que ficará no cargo até janeiro de 2027.

Indagado sobre especulações de que seria substituído como vice na chapa de Bolsonaro na próxima eleição, Mourão não descartou a possibilidade. Ele, entretanto, disse que é leal a Bolsonaro e que o presidente sabe disso.

“O presidente sabe muito bem que eu sou formado na mesma escola dele e na nossa escola lealdade é virtude. Ele sabe que ele tem a minha lealdade. Agora, quando chegar no momento da eleição, pode ser necessário algum tipo de composição. A gente nunca descarta isso aí [sair da chapa de Bolsonaro].

 A avaliação positiva do governo impulsiona os desejos do presidente de seguir na cadeira. A última pesquisa realizada pelo PoderDatadivisão de estudos estatísticos do Poder360, mostrou que 50% dos brasileiros aprovam o governo de Jair Bolsonaro e 41% desaprovam.

A parcela da população que avalia positivamente a administração federal cresceu 10 pontos percentuais desde o início de julho. A melhora na taxa de aprovação coincide com 1 período de mudança no comportamento do presidente, que passou a evitar falar com a imprensa ou fazer ataques a adversários.

A divulgação do levantamento é realizada em parceria editorial com o Grupo Bandeirantes. Os dados foram coletados de 31 de agosto a 2 de setembro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos.

As variações das taxas ficaram dentro da margem de erro (de 2 pontos percentuais) se comparadas com o último levantamento (de 17 a 19 de agosto).

 Foram 2.500 entrevistas em 509 municípios, nas 27 unidades da Federação. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

 ELEIÇÕES MUNICIPAIS

 O vice-presidente levou o PRTB ao 1º escalão do Executivo depois de tentativas frustradas do presidente do partido, Levy Fidelix, disputar a Presidência como cabeça de chapa. Nas eleições municipais de 2020, Mourão também terá papel importante para a sigla.

O general gravará vídeos com os candidatos a prefeitos e vereadores do partido para tentar impulsionar a campanha de seus correligionários. Segundo sua estimativa, serão de 300 a 400 vídeos gravados em Brasília.

“Eu estou identificado com o meu partido e tenho que apoiar os nossos candidatos. Eu considero que é 1 dever meu apoiar os nossos candidatos a prefeito e a vereador”, disse.

 A ideia de Mourão é que o partido consiga pelo menos 50 prefeituras de cidades importantes para “se reerguer” e ganhar “musculatura” para chegar às eleições de 2022 com mais chances de disputar cargos importantes do que tiveram em 2018.

Atualmente, a bancada eleita segundo o site da sigla, o PRTB, conta com 10 prefeitos em cidades de Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Tocantins.

O chefe da sigla e principal rosto histórico do partido, Levy Fidelix, oficializou sua candidatura à prefeitura de São Paulo no fim de agosto. A chapa ainda conta com 69 candidatos a vereador.

Ao ser questionado se valeria a pena para 1 partido menor como o PRTB ter candidato próprio para a maior cidade brasileira, Mourão afirmou que a estratégia é dar visibilidade à sigla e aumentar as chances de eleger vereadores.

“Porque a nossa visão é que o Levy pode ser uma figura conhecida E como estão proibidas as coligações na eleição proporcional, ou seja, na eleição de vereadores. Nós tínhamos que ter alguém que trouxesse, desse a cara do partido para os nossos eleitores”, respondeu.

GUEDES E O TETO DE GASTOS

Tema debatido internamente pelo governo nas últimas semanas, o teto de gastos impede que as despesas da União cresçam para além do que foi usado no ano anterior corrigido pela inflação.

A norma foi criada em 2016, durante o governo de Michel Temer. Como o governo não pode cortar dos chamados gastos obrigatórios, como aposentadorias e salários, o ajuste fiscal acaba sendo feito nas despesas discricionárias, que serão de R$ 92 bilhões em 2021.

O limite é amplamente defendido pelo atual ministro da Economia, Paulo Guedes, mas é questionado por integrantes do Executivo que gostariam de mais recursos para obras de infraestrutura.

O vice-presidente concorda com Guedes. Ele admite, contudo, que o chefe da Economia sofre pressões diversas para uma flexibilização, mas pede que o debate seja feito com cautela já que esta seria a “única âncora fiscal” do país.

O Paulo Guedes sabe das nossas limitações. E ele busca manter o equilíbrio fiscal de modo que a nossa dívida não atinja valores inaceitáveis no momento de pandemia, num momento de dificuldade no mundo como 1 todo”, declarou.

E continuou: “E por isso ele sofre as pressões de ministros que gostariam de apresentar mais trabalho, mas para isso precisa de mais recursos; dos próprios parlamentares que gostariam de dispor de mais recursos. Então está na hora de a gente discutir com seriedade a questão fiscal do país e ver quais são os limites que nós podemos atingir.”

Guedes chegou a dizer na última 3ª feira (1.set.2020) que eliminar o teto de gastos, na conjuntura atual, seria como “tacar fogo no país”. Segundo ele, essa discussão não deve ser feita agora, quando a dívida do Brasil está prestes a chegar a 100% do PIB (Produto Interno Bruto).

“Nesse presente momento, nós temos que buscar outras soluções, que é o que o Paulo Guedes coloca: desvincular, desindexar, desobrigar, de modo que a gente, em vez de romper o teto, a gente fure o piso. E como consequência ainda tenha espaço para investir no país”, completou o general.

BOLSONARO PAZ E AMOR

A relação do presidente Jair Bolsonaro com a imprensa é marcada por atitudes beligerantes. Em 23 de agosto, o chefe de Estado disse que gostaria de agredir 1 repórter do jornal O Globo.

A resposta veio depois de ouvir perguntas sobre os depósitos que sua mulher, Michelle, teria recebido de Fabrício Queiroz. O ex-assessor Queiroz é amigo da família e foi chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro, filho do presidente, na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Flávio hoje é senador.

O Ministério Público investiga suposto esquema de “rachadinha” quando o filho do presidente era deputado estadual. Trata-se da prática em que políticos se apropriam de salários de assessores.

Bolsonaro, entretanto, havia passado a falar menos com a imprensa nos últimos meses. A menor exposição coincide com o afunilamento das investigações sobre Fabrício Queiroz.

O presidente tinha o hábito de falar a apoiadores e jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada. Era comum Bolsonaro estimular seus apoiadores a admoestar jornalistas.

Essa fase atual de Bolsonaro ficou conhecida como “paz e amor”. Indagado a respeito do episódio em que o jornalista de O Globo foi ameaçado de ser esmurrado por Bolsonaro, o vice-presidente pediu que se alivie “o ser humano Bolsonaro”.

Para ele, o presidente sofre ataques “sistemáticos” e “constantes” e conviver com esse cenário não é simples. Mourão afirmou que dada a raiva e a quantidade das críticas, em determinado momento, o cara termina por dar uma canelada”.

FÓRUM DE DAVOS

O presidente Jair Bolsonaro disse, em conversa informal com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, que deseja “explorar as riquezas” da Amazônia em parceria com os EUA. A afirmação foi dada durante o Fórum Econômico Mundial em janeiro de 2019 e registrada no documentário O Fórum.

Al Gore mostrou-se preocupado com a questão ambiental no país, principalmente sobre a Amazônia e disse que “é 1 assunto muito importante”.

Ao responder o ex-vice-presidente, Bolsonaro afirmou que “a Amazônia não pode ser esquecida”, mas que “adoraria explorar as riquezas” da região com os Estados Unidos. Aparentemente constrangido, Al Gore afirmou não ter entendido “muito bem” o que Jair Bolsonaro queria dizer.

Sobre o episódio, Mourão justificou que Bolsonaro viajou à Suíça ainda sofrendo de consequências da facada de que foi vítima durante a campanha nas eleição de 2018. E que a fala confusa foi 1 gesto diplomático mal compreendido.

“Acredito que naquele momento ele procurou fazer 1 gesto –vamos dizer assim– de simpatia ao Al Gore. Eu, da minha parte, acho que o presidente foi extremamente diplomático ali, o presidente Bolsonaro. Até porque o Al Gore é 1 daqueles que advoga a internacionalização da Amazônia.”

ELEIÇÕES EUA

Desde que assumiu o cargo, Bolsonaro tem procurado estreitar laços com os Estados Unidos com foco na figura do presidente norte-americano, Donald Trump.

O clã Bolsonaro manifestou proximidade com Trump em diversas oportunidades. O presidente usou sua conta oficial no Facebook para transmitir ao vivo 1 discurso de Trump.

Jair Bolsonaro também afirmou acreditar na reeleição do republicano. Eduardo fez parte da comitiva brasileira que participou de reunião na Casa Branca em agosto de 2019.

Pesquisa divulgada na última 2ª feira (31.ago) pelo site The Hill e realizada pelo instituto HarrisX mostrava o democrata Joe Biden com 47% das intenções de voto para a Presidência dos Estados Unidos. O atual presidente, o republicano Donald Trump, tinha 38% da preferência dos norte-americanos.

Caso o cenário se confirme e o atual presidente não seja reeleito, Mourão não enxerga problemas para a relação entre Brasil e EUA. Segundo o vice-presidente, a amizade entre os 2 países vem desde a independência brasileira.

“Em qualquer governo, seja aqui no Brasil, seja lá nos Estados Unidos, haverá uma aproximação natural e uma busca de uma aliança nos temas de grande interesse dos países, independente do governo de turno. Então, independente do Trump ou Biden, nós continuaremos com esse relacionamento com os Estados Unidos da América.”

Questionado sobre se foi prudente o presidente tomar 1 lado tão claro na disputa eleitoral dos EUA, o general afirmou que o apoio dado pelo brasileiro a Trump é relativo. Bolsonaro não pode, de fato, dar votos ao seu par dos EUA. Para Mourão, o que há é 1 “wishful thinking”. A expressão em inglês significa “desejo” ou “pensamento positivo”.

“Vou usar 1 termo em inglês: ‘wishful thinking’ dele [Bolsonaro] para que o Donald Trump, com quem ele tem afinidade, prosseguisse na condução dos destinos da grande nação americana”, completou.

QUEM É HAMILTON MOURÃO

Nascido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 15 de agosto de 1953, o general do Exército Hamilton Mourão formou-se na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), em dezembro de 1975. O presidente Jair Bolsonaro também estudou na Aman.

Com 46 anos de carreira militar, o vice-presidente exerceu funções de assessor de Estado-Maior de Grandes Unidades e Grandes Comandos nas Regiões Sul, Centro-Oeste e Amazônica e no gabinete do comandante do Exército, em Brasília.

Representou o Brasil na Terceira Missão de Verificação das Nações Unidas, em Angola, em 1996. De 2002 a 2004, foi adido de defesa e do Exército na Venezuela.

Deixou o serviço militar em fevereiro de 2018, quando assumiu a presidência do Clube Militar no Rio de Janeiro até que se filiou ao PRTB, de Levy Fidelix, em maio daquele ano para disputar as eleições ao lado de Jair Bolsonaro.

PODER EM FOCO

O programa semanal, exibido aos domingos, sempre no fim da noite, é uma parceria editorial entre SBT e Poder360. O quadro reestreou em 6 de outubro, em novo cenário, produzido e exibido diretamente dos estúdios do SBT em Brasília. 

Além da transmissão nacional em TV aberta, a atração pode ser vista nas plataformas digitais do SBT Online e no canal do YouTube do Poder360.

Eis os outros entrevistados pelo programa até agora, por ordem cronológica:

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