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Com fechamento da Ford, produção industrial na Bahia recua 18% no 1º bimestre

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O fechamento da fábrica da Ford em Camaçari provocou uma queda de 18% da indústria da Bahia no primeiro bimestre de 2021, frente a igual período do ano anterior. Os números da Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM Regional), divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram o tamanho do impacto da decisão anunciada pela montadora no início do ano.

Considerando apenas o mês de fevereiro, a retração frente a igual mês de 2020 foi de 20,9%, a mais intensa desde maio de 2020 (21,4%), no período em que houve interrupção de produção por causa da pandemia. Em janeiro de 2021, a perda foi de 15,1%.

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“Essa queda é atribuída ao baixo desempenho do setor de veículos pela saída de uma montadora de veículos do Estado. Nesse tipo de comparação, a gente consegue observar bem a saída dessa produção, com recuo de 97,1% na produção do setor de veículos automotores depois da saída da montadora. A gente vai ver esse efeito ao longo de 2021”, explica o analista do IBGE responsável pela pesquisa, Bernardo Almeida.

As perdas na Bahia também se refletem nos dados da indústria na região Nordeste, que teve queda de 9,7% em fevereiro, frente a igual mês de 2020, e 6,6% no primeiro bimestre de 2021, frente a igual período de 2020.

Além do setor automotivo, que foi o principal impacto na queda da indústria baiana, Almeida citou recuo também na produção de derivados de petróleo, como óleos combustíveis, óleo diesel, gasolina, gás liquefeito de petróleo.

Reportagem publicada pelo Valor em março mostrou que empresas de autopeças instaladas em Camaçari já trabalham no desmanche de suas fábricas, com transferência ou venda de maquinário. Os fornecedores diretos da Ford não acreditam na chegada de outra fabricante que substitua a montadora americana a curto prazo, e se concentram em estancar prejuízos imediatos, como custos de pessoal e aluguel de galpões.

Fonte: Valor Econômico