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Corrida pela vacina de Covid-19 pode ser ameaça à saúde, alertam cientistas

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Vacina (Foto: Pexels)
Vacina (Foto: Pexels)

A corrida para encontrar uma vacina que proteja contra a Covid-19 pode ser uma ameaça à saúde pública, alertam especialistas da InterAcademy Partnership (IAP), rede global que conta com 30 mil cientistas de mais de 100 países. Essa e outras reflexões sobre a pandemia causada pelo novo coronavírus foram compartilhadas em um comunicado, oficialmente lançado no EuroScience Open Forum (ESOF), conferência dedicada a pesquisa científica e inovação, que aconteceu em Trieste, na Itália, entre os dias 2 e 6 de setembro.

A organização alerta que essa “corrida” pode abrir precedentes para ameaças iminentes à saúde, como o movimento antivacina, o encurtamento da fase de testes do imunizante e o chamado “nacionalismo vacinal”. “Embora haja uma necessidade urgente de acelerar o processo [de desenvolvimento de uma vacina] ao máximo possível, também existem graves perigos se encurtarmos os caminhos”, disse Volker ter Meulen, um dos cientistas, em comunicado.

Os especialistas ressaltam que, em muitos países, a Covid-19 se tornou um problema político, com subnotificação do número de casos, abrandamento da gravidade da pandemia por líderes governamentais e o uso de máscaras considerado uma afronta à liberdade pessoal, em vez de uma forma de proteção. Ultimamente, a preocupação tem sido com a pressa para a descoberta de uma vacina eficaz e, nisso, questões importantes podem ser “atropeladas”, o que também apresenta grande risco.

“As fases padrão dos ensaios clínicos de vacinas devem prosseguir com o rigor científico apropriado, em particular a coleta de evidências robustas necessárias para demonstrar segurança e eficácia em larga escala”, ressaltou Meulen.

Também é importante explicar para a população como as vacinas funcionam e quais os resultados dos testes que estão sendo realizados, pois o movimento antivacina utiliza justamente a falta de entendimento do assunto para propagar informações falsas. “Devemos garantir um processo aberto, de alta integridade e cientificamente orientado para o desenvolvimento e revisão das vacinas contra a Covid-19, de modo que não haja dúvidas sobre sua segurança”, disse Margaret Hamburgo, outra cientista, em declaração.

O último ponto de preocupação é como a vacina será distribuída assim que estiver disponível, pois não haverá bilhões de doses do imunizante de um dia para o outro a fim de atender o mundo todo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) planeja distribuir o medicamento de forma equitativa, assim como os 170 países atualmente em negociações para ingressar no Covax, o esforço internacional para encontrar uma vacina.

Ainda assim, os Estados Unidos, por exemplo, não entraram no acordo, o que é preocupante. “O chamado ‘nacionalismo de vacina’, ou a compra antecipada de estoques de vacinas futuras exclusivamente para uso nacional é inaceitável”, disse Krishan Lal, membro da IAP. “O acesso à vacina por países e indivíduos deve ser baseado na necessidade e não na capacidade de pagar.”

Galileu