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Dinossauro parecido com coruja tinha hábitos noturnos e audição apurada

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Reconstrução artística do dinossauro Shuvuuia deserti (Foto: Viktor Radermaker)
Reconstrução artística do dinossauro Shuvuuia deserti (Foto: Viktor Radermaker)

Emplumado e parecido com uma coruja, o dinossauro Shuvuuia deserti tinha uma visão noturna incrivelmente boa e uma audição muito sensível. As habilidades dessa criatura que viveu há 65 milhões de anos foram descritas em uma pesquisa publicada nesta sexta-feira (7), na revista Science.

O estudo, liderado pela Universidade de Witwatersranda, na África do Sul, tinha como objetivo investigar e comparar as habilidades auditivas e de visão de pássaros e dinossauros. Em especial, os cientistas queriam investigar os terópodes – um grupo de seres pré-históricos que originou as aves modernas.

Surpreendentemente, eles descobriram que alguns terópodes carnívoros, como o tiranossauro e o dromeossauro, tinham adaptações sensoriais parecidas com as dos pássaros. De dia, eles apresentavam visão otimizada. De noite, uma audição melhor do que a média para facilitar na caça.

O dinossauro noturno Shuvuuia deserti se parecia com coruja (Foto: Viktor Radermaker)
O dinossauro noturno Shuvuuia deserti se parecia com coruja (Foto: Viktor Radermaker)

Mas o terópode que mais se destacou nesses requisitos foi o Shuvuuia deserti, que tinha habilidade de escuta e visão extraordinárias. É a primeira vez que tais características são expressas por um só fóssil, o que sugere que esse pequeno dinossauro habitante da antiga Mongólia era um caçador noturno de insetos e pequenos mamíferos.

Para chegar nessa conclusão, os pesquisadores investigaram o tamanho relativo dos olhos e ouvidos internos de quase 100 espécies de pássaros vivos e dinossauros extintos por meio de tomografias computadorizadas de fósseis.

S. deserti tinha olho com uma pupila muito grande, capaz de permitir a entrada de grandes quantidades de luz (Foto: Mick Ellison / Museu Americano de História Natural)
S. deserti tinha olho com uma pupila muito grande, capaz de permitir a entrada de grandes quantidades de luz (Foto: Mick Ellison / Museu Americano de História Natural)

Uma das coisas que mais chamou atenção dos experts foi a lagena, órgão que processa os sons. O tamanho da estrutura nos Shuvuuia deserti era similar ao da coruja-das-torres (Tyto alba), ave que tem a lagena mais longa de todas.

Além disso, critérios como o anel escleral e os ossos ao redor da pupila de cada espécie serviram para avaliar a visão dos animais. A ideia era parecida com a das câmeras fotográficas: quanto mais a lente, ou a pupila, consegue abrir ou dilatar, mais luz entra, gerando uma melhor visão noturna.

O Shuvuuia deserti, que era do tamanho de uma galinha e tinha uma única garra em cada pata, se destacou mais uma vez. A espécie apresentava uma das maiores pupilas entre todos os pássaros e dinossauros conhecidos.

“Atividade noturna, capacidade de cavar e membros posteriores longos são características de animais que vivem em desertos hoje, mas é surpreendente ver tudo isso combinado em uma única espécie de dinossauro que viveu há mais de 65 milhões de anos”, conta Jonah Choiniere, primeiro autor do estudo, em comunicado.

Galileu