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EDP Brasil tem lucro de R$ 237,2 milhões no segundo trimestre

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A EDP Brasil encerrou o segundo trimestre com um lucro líquido de R$ 237,2 milhões, cifra 25,5% maior que a observada em igual período de 2019. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) chegou a R$ 586 milhões, um crescimento de 5,5% na comparação com 2019.

Segundo o presidente da elétrica, Miguel Setas, o resultado representa uma “virada de jogo”, após as quedas observadas nas principais métricas da empresa no primeiro trimestre. O executivo destaca que o desempenho teve uma contribuição positiva principalmente dos ativos de transmissão. No segundo trimestre, o Ebitda do segmento teve um aumento de R$ 59 milhões no comparativo anual, devido à conclusão antecipada do Lote 11 e à evolução dos investimentos (capex) de outros projetos em construção.

Ainda no trimestre, também tiveram aumentos os Ebitdas da geração hídrica (em R$ 15 milhões) e da termelétrica de Pecém (R$ 3 milhões). Por outro lado, como já esperado, o indicador da Distribuição mostrou queda (R$ 23 milhões).

Mais expostas aos efeitos da pandemia, as distribuidoras de energia sofreram com queda de mercado, sobrecontratação e as perdas de energia, afirma Setas. Nas concessionárias da EDP em São Paulo e Espírito Santo, a queda de mercado ficou próxima a 12%, puxada pelos segmentos industrial e comercial. Já as perdas ficaram relativamente estáveis no acumulado do trimestre, mas impactaram as margens, segundo a companhia.

Além do Ebitda, outros dois efeitos contribuíram para o resultado positivo na última linha do balanço. Um deles foi a melhora do resultado financeiro: a despesa financeira líquida caiu 26,4% na base anual, para R$ 85,3 milhões. O outro foi a equivalência patrimonial da participação na Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A (Celesc), que aumentou em R$ 40 milhões.

Entre abril e junho, a receita operacional líquida da EDP Brasil recuou 9%, para R$ 2,9 bilhões. Excluindo receita com construção, o indicador caiu 2,8% na base anual, para R$ 2,6 bilhões.

Dívida líquida

Em relação ao endividamento, a dívida líquida da elétrica atingiu R$ 5,75 bilhões, 3,5% maior no comparativo anual. Já o índice de alavancagem se manteve em 2,0 vezes a dívida líquida sobre Ebitda, mesmo nível observado no fim de março.

“Estamos muito capitalizados. Temos disponibilidades financeiras na casa dos R$ 3,4 bilhões, suficiente para fazer frente às necessidades de refinanciamento no próximos dois anos”, afirmou Setas.

Revisão tarifária

O executivo afirmou que ainda não há decisão sobre entrar com pedidos de revisão tarifária extraordinária (RTE) das distribuidoras por causa da pandemia. “Não quero antecipar uma decisão sobre RTE. Isso naturalmente vai ser avaliado pela empresa, vamos verificar se há razão ou não. Mas é cedo ainda, uma análise para RTE tem que ter mais tempo, não só dois trimestres”, disse Setas, em conversa com jornalistas.

O segmento de distribuição pesou negativamente sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia no segundo trimestre. No período, o Ebitda das distribuidoras caiu R$ 23 milhões em relação ao observado em igual período de 2019. “Não qualifico esses R$ 23 milhões como impacto da pandemia. Acho que não se pode fazer essa conclusão dessa forma tão direta, porque tem efeitos não recorrentes que podem estar poluindo essa comparação”.

O executivo comentou ainda que a EDP Brasil tem interesse em “aprofundar o máximo possível” a parceria estratégica com a Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A (Celesc). Recentemente, fez uma nova aquisição de ações preferenciais da distribuidora catarinense, passando a deter 28,77% do capital social da companhia. Setas lembrou que a companhia é controlada pelo governo catarinense e que ir além da compra de ações preferenciais dependeria de uma privatização da distribuidora.

Dividendos

Além de divulgar o balanço da empresa, também nesta sexta-feira (28) o conselho de administração da EDP Brasil aprovou uma nova política de dividendos. Ficou definido que a companhia retorna aos acionistas, na forma de dividendos ou recompra de ações, todo o fluxo de caixa não comprometido com investimentos.

A nova prática envolve a distribuição de no mínimo R$ 1,00 por ação a partir de 2021, garantindo que o dividendo continue a representar mais do que 50% do lucro líquido ajustado por ação.

Em termos de alavancagem, a nova política define como objetivo uma alavancagem entre 2,5 e 3,0 vezes a relação dívida líquida sobre Ebitda, com um limite mínimo de 2,0 vezes.

Além disso, o conselho da EDP também aprovou um programa de recompra de ações ordinárias de sua emissão para manutenção em tesouraria, com o objetivo de maximizar a geração de valor para os acionistas. As transações de recompra têm o limite máximo de 8,5% das ações em circulação e poderão ser realizadas em até 18 meses, a preços de mercado, no ambiente da B3.

Fonte: Valor Econômico