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Em teste, anticorpos de quem teve Covid-19 não protegem contra variante Gama

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Células infectadas pela linhagem P.1 do coronavírus Sars-CoV-2 (Foto: William M.Souza, et. al )
Células infectadas pela linhagem P.1 do coronavírus Sars-CoV-2 (Foto: William M.Souza, et. al )

Testes de laboratório apontaram que a variante Gama (P.1) do coronavírus, detectada em Manaus, é capaz de escapar de anticorpos neutralizantes gerados após infecção prévia por outras linhagens do Sars-CoV-2. A descoberta faz parte de um estudo, publicado no jornal científico The Lancet em 8 de julho.

A pesquisa internacional contou com a participação de mais de 50 cientistas e foi liderada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em colaboração com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).

A equipe avaliou o plasma de 21 doadores de sangue que tiveram infecção prévia pelo vírus e também coletou o mesmo material de 53 vacinados com a CoronaVac, imunizante do Instituto Butantan em parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac.

Dentre as amostras, 18 eram de vacinados com uma única dose e outras 38 eram de indivíduos imunizados com as duas doses, coletadas entre 17 e 38 dias após a imunização. Além disso, também foi incluído o plasma de 15 pessoas que passaram pelo esquema de vacinação completo de 134 a 260 dias antes da coleta.

O estudo indicou assim que o plasma dos pacientes infectados previamente tinha capacidade neutralizante 8,6 vezes menor contra a variante P.1 do que a observada na amostra de pessoas com uma infecção isolada pela cepa.

Imagem de microscopia eletrônica colorizada de uma célula humana (em azul) infectada pelo coronavírus Sars-CoV-2 (Foto: Niaid)
Imagem de microscopia eletrônica colorizada de uma célula humana (em azul) infectada pelo coronavírus Sars-CoV-2 (Foto: Niaid)

Em seguida, a equipe comparou a atuação dos anticorpos neutralizantes contra a variante Gama e contra a linhagem B do coronavírus, que circulou ano passado no Brasil. Nas amostras coletadas entre 134 e 260 dias após a segunda dose da CoronaVac, o nível dessas células de defesa ficou abaixo do limite de detecção para a P.1 e foi considerado baixo para a outra cepa.

Apesar disso, William Marciel de Souza, que coordenou o estudo, salienta que a CoronaVac é eficiente contra as formas graves da Covid-19 e previne contra mortes e hospitalizações. “É preciso lembrar que este é o objetivo principal de uma vacina. Deste modo, reiteramos que as campanhas de vacinação devem ser aceleradas”, ressalta o pesquisador, ao Jornal da USP.

Os autores da pesquisa destacam ainda que os resultados foram obtidos in vitro – não diretamente em pacientes – e que a defesa do corpo humano é muito ampla. “Lembramos também que os anticorpos neutralizantes são apenas um dos componentes da resposta imune, outros componentes como imunidade celular não foram avaliados neste estudo”, pondera Souza.

Galileu