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Estresse durante a gravidez afeta cérebro do bebê, sugere novo estudo

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Níveis do hormônio cortisol na gravidez podem afetar o desenvolvimento do cérebro do feto, indica estudo liderado pela Universidade de Edimburgo (Foto: Ömürden Cengiz / Unsplash)
Níveis do hormônio cortisol na gravidez podem afetar o desenvolvimento do cérebro do feto, indica estudo liderado pela Universidade de Edimburgo (Foto: Ömürden Cengiz / Unsplash)

O estresse que gestantes sofrem durante a gravidez afeta o desenvolvimento do cérebro dos seus bebês, indica um novo estudo liderado pela Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, e publicado no eLife.

Cientistas chegaram a essa conclusão ao analisarem os níveis do cortisol, hormônio responsável pelo controle do estresse, em mães. Eles perceberam que havia uma relação entre essa substância química e alterações na amígdala, parte do cérebro ligada ao processamento de emoções, nos fetos.

Os pesquisadores citaram diversos estudos que, anteriormente, apontaram como o estresse de gestantes pode levar os bebês a desenvolverem distúrbios emocionais – como a depressão – ao envelhecerem. No entanto, grande parte dessas pesquisas confiaram em questionários com pacientes em vez de examinarem os sinais biológicos das pacientes objetivamente.

Assim, no novo estudo, os cientistas estudaram amostras do cabelo de 78 mulheres que haviam acabado de dar à luz para identificarem os níveis de cortisol que elas apresentaram nos últimos três meses de gestação. Eles também usaram imagens de ressonância magnética para verificarem os cérebros dos recém-nascidos dessas mães.

Em uma primeira análise, os pesquisadores perceberam que os maiores níveis de cortisol nas amostras de cabelo das pacientes se ligavam à mudanças estruturais e funcionais nas amígdalas dos bebês delas. No entanto, ao observarem os resultados mais a fundo, eles também descobriram que os efeitos do hormônio variavam de acordo com o sexo das crianças. Enquanto o cortisol alterava a estrutura da amígdala de meninos, ele mudava a forma como essa região do cérebro se conectava com outras partes do órgão do sistema nervoso nas meninas.

Cientistas ainda não puderam identificar o porquê dessa distinção. Uma hipótese é que isso se relacione com o fato das enzimas que controlam a passagem de cortisol na placenta se diferenciarem de acordo com o sexo do feto.

O estudo também não observou como o estresse na gravidez pode afetar o desenvolvimento emocional das crianças. Porém, o professor James Boardman, diretor do Laboratório de Pesquisa Jennifer Brown na Universidade de Edimburgo, do Reino Unido, destacou que as descobertas reforçam a importância de se identificar e apoiar gestantes que precisam de ajuda durante a gravidez. “Isso poderia ser uma forma eficaz de promover o desenvolvimento saudável em bebês”, ele explicou em um comunicado.

Galileu