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Estudo aponta o jeito mais seguro de andar de carro na pandemia

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Manter todas as janelas do carro abertas é o jeito mais seguro de evitar a transmissão do Sars-CoV-2 (Foto: A. L./Unsplash)
Manter todas as janelas do carro abertas é o jeito mais seguro de evitar a transmissão do Sars-CoV-2 (Foto: A. L./Unsplash)

Se você precisa pegar carona com um carro de aplicativo ou mesmo um amigo, atenção: em tempos de pandemia, o ideal é que todas as janelas do veículo se mantenham abertas durante o trajeto. É o que concluiu um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Brown, nos Estados Unidos, publicado na última sexta-feira (4) na revista científica Science Advances.

Os cientistas usaram modelos de computador para simular o fluxo de ar dentro de um carro compacto em diversos cenários: todas as janelas abertas, todas fechadas ou algumas abertas e fechadas. Os resultados indicam que quanto mais abertura para ventilação, menor a concentração de partículas de aerossol trocadas entre motorista e passageiro.

A situação menos indicada é manter todos os vidros fechados e o ar-condicionado ou aquecedor ligado. “Mesmo uma ou duas janelas abertas foi bem melhor do que todas elas fechadas”, conta Asimanshu Das, estudante de pós-graduação na Escola de Engenharia da universidade que coliderou a investigação, em nota.

As simulações consideraram um passageiro sentando atrás do motorista ou no lado oposto no banco traseiro, já que essas são as duas posições com maior distanciamento possível entre as duas pessoas. O fluxo de ar foi avaliado com o veículo andando a uma velocidade de 80 km/h, e a formação de aerossóis também foi medida.

Simulações em computador de diferentes cenários de troca de partículas de aerossol dentro do carro: manchas vermelhas indicam mais partículas. O maior risco é com as janelas fechadas (no topo, à esquerda) e vai diminuindo com cada vez mais vidros abertos. O melhor cenário é o inferior, à direita. (Foto: Breuer lab/Brown University)
Simulações em computador de diferentes cenários de troca de partículas de aerossol dentro do carro: manchas vermelhas indicam mais partículas. O maior risco é com as janelas fechadas (no topo, à esquerda) e vai diminuindo com cada vez mais vidros abertos. O melhor cenário é o inferior, à direita. (Foto: Breuer lab/Brown University)

Já se sabe que o novo coronavírus é capaz de permanecer ativo no ar, especialmente em ambientes pouco ventilados. Ao abrir (ou fechar) as janelas, a taxa de renovação do ar por hora se altera, e é isso que impacta a disseminação de partículas possivelmente contaminadas.

A disposição das aberturas importa. Os pesquisadores viram que a pressão do ar perto das janelas traseiras tende a ser maior. Como resultado, o ar entra no carro pela parte de trás e sai pela da frente. Ao abrir tudo, cria-se dois fluxos de ar independentes em cada lado do carro. Nas simulações, quando os ocupantes estavam em lados opostos, pouquíssimas partículas foram trocadas entre passageiro e motorista — embora este tenha um risco ligeiramente maior por estar na área por onde o ar sai.

Abrir as janelas do lado oposto ao que motorista e passageiro estão sentados cria um fluxo de ar que reduz a troca de partículas de aerossóis entre as pessoas (Foto: Breuer lab/Brown University)
Abrir as janelas do lado oposto ao que motorista e passageiro estão sentados cria um fluxo de ar que reduz a troca de partículas de aerossóis entre as pessoas (Foto: Breuer lab/Brown University)

Outra constatação curiosa é que abrir a janela imediatamente ao lado de cada pessoa não é a melhor ideia — prefira baixar o vídro do seu lado oposto. “Quando as janelas opostas aos ocupantes estão abertas, você tem um fluxo de ar que entra por trás do motorista, passa pela cabine atrás do passageiro e sai pela janela do banco da frente do lado do passageiro”, explica o professor Kenny Breuer, autor sênior do estudo.

Vale lembrar, no entanto, que essas práticas não substituem o uso de máscara por todas as pessoas dentro do veículo e medidas de higiene. Os autores também ponderam que não mediram o comportamento de gotículas maiores possivelmente infectadas com o Sars-CoV-2.

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