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FMI/Gopinath: Retorno a limites fiscais pode atrapalhar recuperação do Brasil

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta terça-feira que a recuperação mais rápida que o previsto da economia brasileira se refletiu nas perspectivas menos pessimistas da entidade para o PIB do país em 2020. No entanto, o fim das medidas de apoio fiscal deve afetar a sequência da recuperação no próximo ano.

A entidade já havia revelado na semana passada que prevê uma contração de 5,8% no PIB do Brasil em 2020, contra 9,1% esperados no relatório divulgado em julho. Para 2021, porém, a estimativa do FMI passou de alta de 3,6% para 2,8%.

Ao comentar as previsões atualizadas, a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, afirmou que a revisão para 2020 é um “reflexo de uma recuperação mais rápida após a reabertura, em parte por causa da extensão de medidas de apoio fiscal” adotadas pelo governo durante a pandemia.

Ainda assim, Gopinath previu que o Brasil terá uma recessão robusta e deve viver a mesma situação que outros países da América Latina, que terão recuperações mais lentas do que o restante no mundo ao longo de 2021.

No caso brasileiro, segundo a economista-chefe do FMI, isso deve ocorrer por causa da necessidade do governo federal de respeitar regras que impõem limites fiscais ao governo, como o teto de gastos, o que deve impedir a sequência de políticas implementadas ao longo deste ano para mitigar os efeitos da crise.

“Houve uma grande expansão neste ano em termos de apoio fiscal, mas haverá um impacto negativo [sobre o crescimento] no futuro por causa da retirada desse apoio”, disse Gopinath.

1 de 1 — Foto: Andrew Harrer/Bloomberg via Getty Images

— Foto: Andrew Harrer/Bloomberg via Getty Images

Fonte: Valor Econômico