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Fóssil de tubarão com dentes em forma de pétala é encontrado na China

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Fóssil de tubarão com dentes em forma de pétala é encontrado na China (Foto: YANG Dinghua)

Fóssil de tubarão com dentes em forma de pétala é encontrado na China (Foto: YANG Dinghua)

Fósseis de um tubarão da espécie Petalodus ohioenesis, que viveu há 290 milhões de anos e tinha dentes em formato de pétala, foi encontrado em formações rochosas da cidade de Yangquan, na China. Esta é a primeira vez que a espécie foi achada no país e a descoberta foi descrita em artigo publicado na edição de agosto da revista científica Acta Geologica Sinica.

A espécie do animal pôde ser definida graças ao formato dos setes dentes encontrados em Yangquan: seus cíngulos (protuberâncias na coroa do dente) são verticalmente estreitos e suas raizes são muito mais longas do que as vistas em outras espécies. Além disso, o estudo também observou que o P. ohioenesis tem coroas no formato de pétalas e raízes na forma de língua. A pesquisa também indica que a grande arcada dentária do tubarão e seus dentes afiados com numerosos e finos sulcos verticais foram adaptados para morder e cortar tecidos moles.

Fotografias e restauração de Petalodus ohioensis (Foto: GAI Zhikun and YANG Dinghua)

Fotografias e restauração de Petalodus ohioensis (Foto: GAI Zhikun and YANG Dinghua)

Outra caraterística curiosa da é que cristas horizontais cercavam as bases da coroa dos dentes e podiam ajudam a evitar que as presas escapassem da mordida, uma vez que essa anatomia aumentava a fricção entre o dente e o tecido mole abocanhado.

Com esse perfil, os pesquisadores acreditam que os P. ohioenesis eram peixes semelhantes a tubarões, que viviam uma vida predatória e provavelmente estavam no topo da cadeia alimentar dos oceanos do Paleozoico tardio. Estima-se que eles tinham de três a cinco metros de comprimento.

Além disso, fósseis dessa espécie já foram encontrados em diversas regiões do Hemisfério Norte, inclusive na Europa e na América do Norte. “A dispersão bem-sucedida do Petalodus — da Euramérica para o bloco do Norte da China — ao longo do oceano Paleo-Tétis indicou que Petalodus já pôde ter a capacidade de migrar através do oceano e pôde ser um predador de topo com forte capacidade de nadar”, afirma Gai Zhikun, coautor do artigo e pesquisador do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências, em nota à imprensa.

Galileu