política

GSI e Abin negam que agência tenha feito relatórios em defesa de Flávio Bolsonaro

47views

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República afirmou nesta quarta-feira que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) concluiu sindicância sobre os relatórios supostamente elaborados pelo órgão para beneficiar a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no caso das “rachadinhas”.

A auditoria afastou “qualquer possibilidade de confecção dos relatórios divulgados”, segundo a Abin. Porém, disse que há “fortes indícios da participação de um servidor que falseou a verdade e repassou informações à imprensa”.

Em nota, o GSI também afirmou que a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na residência e no posto de trabalho do servidor suspeito de vazamentos, além de colher seu depoimento. Ele foi afastado das funções e responderá a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). O GSI promete processar os veículos de imprensa que divulgaram o caso.

No final do ano passado, a revista “Época” revelou que a Abin teria elaborado ao menos dois relatórios para orientar a atuação da defesa do senador no caso envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho do presidente Jair Bolsonaro no período em que foi deputado estadual no Rio.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) apura o esquema de desvios de salários de deputados estaduais, prática conhecida como “rachadinha”, na Assembleia Legislativa do Rio. As apurações tiveram início a partir de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou movimentação financeira atípica nas contas de Queiroz. Flávio é acusado de organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. Queiroz é apontado como operador do esquema.

Nas reportagens sobre o caso, a revista inclui trechos dos supostos relatórios. Em um deles, no campo “finalidade”, o título é: “Defender FB [Flávio Bolsonaro] no caso Alerj demonstrando a nulidade processual resultante de acessos imotivados aos dados fiscais de FB”.

Os advogados de Flávio sustentam que funcionários da Receita Federal acessaram de forma ilegal os dados fiscais usados no inquérito do esquema da “rachadinha” e, com base nesse argumento, tentam anular o processo. Os relatórios da agência, enviados em setembro do ano passado a Flávio por WhatsApp, detalhariam a atuação e a existência de uma suposta organização criminosa dentro da Receita.

1 de 1 — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

— Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Fonte: Valor Econômico