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Hubble capta mudança de estações em Saturno; veja

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Foto de Saturno capturada pelo telescópio Hubble em 2019 (Foto: NASA/ESA/STScI/A. Simon/R. Roth)
Foto de Saturno capturada pelo telescópio Hubble em 2019 (Foto: NASA/ESA/STScI/A. Simon/R. Roth)

Imagens captadas pelo telescópio Hubble mostram como a atmosfera de Saturno varia com a mudança de estações. A pesquisa com as observações foi publicada no The Planetary Science Journal.

Nas fotos, que foram capturadas em 2018, 2019 e 2020, é possível ver como o hemisfério norte do planeta gasoso ganha tonalidades diferentes à medida que passa do verão ao outono (veja o gif abaixo). O corpo celeste tem estações diferentes porque, assim como a Terra, é inclinado em relação ao Sol – e é possível que a variação de luz solar recebida ao longo do seu ano seja justamente o motivo por trás de algumas das alterações atmosféricas notadas pelos cientistas.

Fotos feitas pelo Hubble em 2018, 2019 e 2020 mostram a mudança de estações no planeta (Foto: NASA/ESA/STScI/A. Simon/R. Roth)
Fotos feitas pelo Hubble em 2018, 2019 e 2020 mostram a mudança de estações no planeta (Foto: NASA/ESA/STScI/A. Simon/R. Roth)

“Essas pequenas mudanças anuais nas faixas coloridas de Saturno são fascinantes”, comentou Amy Simon, cientista planetária do Goddard Space Flight Center da Nasa em Greenbelt, nos Estados Unidos, e autora principal do novo estudo, em um comunicado. “Conforme Saturno se move em direção ao outono em seu hemisfério norte, vemos as regiões polares e equatoriais mudando, mas também vemos que a atmosfera varia em escalas de tempo muito mais curtas.”

De acordo com a pesquisadora, não é surpresa que a alteração das cores de Saturno seja sutil, porque apenas uma fração do ano do planeta foi observada. Como o gigante gasoso orbita o Sol a uma distância de cerca de 1,4 bilhão de quilômetros, ele leva cerca de 29 anos terrestres para completar uma volta em torno do astro – e, por isso, cada uma de suas estações dura mais de sete anos terrestres. “Esperamos grandes mudanças em uma escala de tempo sazonal, então isso mostra a progressão em direção à próxima temporada”, adicionou Simon.

Os dados coletados pelo Hubble mostram que, de 2018 a 2020, o equador de Saturno ficou de 5% a 10% mais brilhante e seus ventos ficaram mais rápidos: em 2018, eles eram de 1.600 quilômetros por hora (km/h), aproximadamente, enquanto aqueles medidos pela espaçonave Cassini entre 2004 e 2009 eram de cerca de 1.300 km/h. Já em 2019 e 2020, esse fluxo de gases voltou a ter a velocidade medida há mais de uma década.

Saturno tem 82 satélites naturais ao seu redor (Foto: Wikimedia Commons)
Saturno (Foto: Wikimedia Commons)

Os ventos do sexto planeta do Sistema Solar – que é composto principalmente de hidrogênio e hélio – variam com a altitude, então a diferença entre as velocidades observadas pode significar que as nuvens em 2018 estavam aproximadamente 60 quilômetros mais profundas do que as medidas durante a missão Cassini. Porém, ainda são necessárias mais observações para determinar a causa dessas variações.

Os estudos sobre Saturno fazem parte do Outer Planets Atmospheres Legacy, ou OPAL, na sigla em inglês. Já que vários dos exoplanetas já descobertos são gigantes gasosos, cientistas querem entender melhor como funcionam nossos corpos celestes vizinhos que pertencem a esse grupo. “O programa OPAL nos deixa observar cada um dos planetas externos com o Hubble a cada ano, o que proporciona novas descobertas e permite que observemos como cada planeta está mudando ao longo do tempo”, explicou Simon.

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