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Ibovespa bate novo recorde com ajuda de bancos e fluxo externo

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O Ibovespa anotou hoje mais um recorde de fechamento e tocou a marca de 131 mil pontos durante o pregão, a despeito do ritmo mais lento no começo do dia. Com ajuda de bancos, o índice se firmou em terreno positivo durante a tarde e se beneficiou novamente de rotação de carteira, em um cenário local relativamente mais favorável e demanda por ativos emergentes no exterior.

Após ajustes, o Ibovespa encerrou em alta de 0,50%, aos 130.776 pontos, depois de tocar 131.190 pontos na máxima do dia. Com isso, o índice registrou ganhos pelo oitavo pregão consecutivo e bateu seu recorde pela sexta vez. O giro financeiro foi de R$ 25,747 bilhões, bem mais modesto que pregões anteriores, quando superou R$ 30 bilhões.

Depois do boom das ações de commodities, chegou a vez de novos setores se destacarem na arrancada do Ibovespa.

Mais da metade das ações do índice já voltou a patamares pré-pandemia. Além disso, empresas do setor de energia e até varejistas atingiram máximas históricas nos primeiros dias de junho, ajudando o Ibovespa a bater patamares inéditos, em um cenário de surpresas com a atividade, menos temor fiscal e discurso mais liberal em Brasília.

Essa nova dinâmica mostra que, nas últimas semanas, o investidor tem equilibrado sua carteira de ações e buscado papéis que ficaram para trás ou são mais beneficiadas por uma futura reabertura da economia local. Tudo isso teve como pano de fundo dados mais fortes que o esperado de atividade e das contas públicas, além de discurso mais voltado a privatizações em Brasília – conjunto que melhora o risco-país como um todo, desde o câmbio até taxas de juros e custo do CDS.

Hoje, o ambiente em Brasília também ajudou o Ibovespa a dar continuidade na sequência de recordes. O índice ganhou força e superou a marca de 131 mil pontos durante a tarde, após o presidente da Câmara, Arthur Lira, reforçar o compromisso com uma agenda de privatização e afirmar que não considera a melhor solução postergar o auxílio emergencial – embora fontes afirmem que o governo deve estender a medida. Além disso, o deputado comentou sobre a “obrigação” de entregar uma reforma tributária este ano e o plano de instalar nesta semana a comissão especial para a reforma administrativa.

Entre os pesos pesados na bolsa, bancos tiveram um dia de ganhos enquanto Vale e siderúrgicas recuaram, em novo dia da rotação de carteira. Bradesco ON teve alta de 1,37%, Bradesco PN avançou 1,25% e Itaú PN ganhou 2,35%. Por outro lado, Vale ON perdeu 0,97%; CSN ON recuou 2,96%; Gerdau PN teve baixa de 1,76% e Usiminas PNA caiu 1,21%.

No noticiário corporativo, destaque para o setor aéreo, que viu altas acentuadas de Azul PN e Gol PN.

A Gol concluiu a reorganização com a Smiles, em um movimento considerado como postivo no mercado. “Vemos a conclusão pendente da reorganização da Gol/Smiles como um [evento] positivo estratégico, pois simplificará a governança corporativa da Gol e poderá fornecer mais flexibilidade comercial e sinergias. Mantemos nosso rating de compra da Gol, que consideramos subvalorizado em relação à Azul, e esperamos que a diferença seja fechada conforme a capacidade e a demanda da Gol se recuperem do outro lado da crise do covid-19”, dizem os analistas do Goldman Sachs.

Já a Azul contou com a melhora de recomendação pelo Bradesco BBI, de neutra para outperform (desempenho acima da média). De olho em um possível acordo com a Latam, também foi definido um novo preço-alvo para a Azul, de R$ 75 para 2022, ante o preço-alvo anterior de R$ 38 para 2021. De acordo com os analistas do Bradesco BBI, em até 90 dias a Azul pode fazer uma proposta para adquirir as operações domésticas da Latam Airlines Brasil.

Azul PN teve alta de 5,57% e Gol PN ganhou 3,93%.

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Fonte: Valor Econômico