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Idosos, homens e fumantes apresentam mais fatores que agravam Covid-19

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Umidade alta e calor afetam capacidade infecciosa de Sars-CoV-2 (Foto: CDC/Unsplash)
Fatores que permitem a entrada do vírus são mais comuns em idosos, homens e fumantes  (Foto: CDC/Unsplash)

Ao longo da pandemia, a comunidade científica observou uma maior vulnerabilidade de alguns grupos à casos graves de Covid-19, como no caso de idosos, homens e fumantes. Apesar dessa constatação clínica, até o momento ainda não havia uma explicação molecular para o quadro. Diante dessa lacuna, o Human Cell Atlas (HCA) se aliou a pesquisadores da Alemanha, dos Estados Unidos, da Inglaterra e da Holanda para investigar possíveis justificativas que se apliquem a esse cenário.

O estudo, publicado na revista Nature no início de março, identifica quais células humanas podem ser infectadas pelo Sars-CoV-2. De acordo com pesquisas anteriores, para que isso aconteça é necessário que a célula apresente fatores genéticos específicos que permitem a entrada do novo coronavírus: o receptor ACE2 e uma protease (TMPRSS2 ou CTSL).

Partindo desse princípio, a equipe internacional de cientistas mapeou os tipos de células do corpo humano e analisou as características presentes nelas. Os pesquisadores perceberam que células do epitélio do pulmão e de vias aéreas, do fígado, do cólon e do olho possuem alta expressão do receptor ACE2 e da protease favorável à entrada do Sars-CoV-2.

Os dados também mostraram que a expressão dos fatores de entrada viral é maior em células de pessoas idosas, de homens e de fumantes. As descobertas correspondem, portanto, às diferentes gravidades da doença observadas entre os pacientes e oferecem uma explicação molecular para isso — que pode ser aliada a variáveis que não foram objeto da pesquisa, como a ação de um sistema imunológico mais forte ou mais fraco.

“Um aspecto-chave desse estudo de larga escala é a variedade de amostras que pudemos analisar. A pesquisa incluiu dados de crianças e de jovens adultos, mas também de idosos”, diz, em nota, Kerstin Meyer, do Instituto Wellcome Sanger, na Inglaterra. “Isso nos deu um poder único de olhar para as mudanças que ocorrem durante a vida humana e ver as diferenças moleculares conforme a idade, o sexo e o grau de tabagismo”, explica.

O resultado da investigação representa um avanço para entender melhor a infecção causada pelo Sars-CoV-2 e explica parcialmente como a gravidade da doença difere entre grupos de pessoas de acordo com o perfil molecular das células. As descobertas também podem ser úteis para compreendermos como o vírus se espalha pelo corpo. Apesar disso, a relação entre expressão dos fatores de entrada viral e maior facilidade de infecção ou gravidade do quadro foi vista apenas em laboratório e ainda requer validação em humanos.

Galileu