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Inflamação é um dos principais traços da depressão, evidencia estudo

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Pessoas com depressão têm níveis mais altos de inflamação do que indivíduos sem o distúrbio mental (Foto: Ben Blennerhassett/Unsplash)
Pessoas com depressão têm níveis mais altos de inflamação do que indivíduos sem o distúrbio mental (Foto: Ben Blennerhassett/Unsplash)

Pesquisadores utilizaram uma amostra de dados de 86 mil pessoas no Reino Unido e notaram que aqueles indivíduos com depressão apresentaram níveis mais altos de inflamação do que aqueles sem o distúrbio psiquiátrico. Os resultados da pesquisa foram publicados na sexta-feira (14), no jornal científico The American Journal of Psychiatry.

Os especialistas do King’s College London, na Inglaterra, consideraram no estudo a presença no sangue de proteína c-reactiva (CRP), um marcador de inflamação corporal, que apresentou nível mais elevado em pessoas deprimidas.

Além de amostras sanguíneas, eles consideraram dados genéticos e questionários de saúde física e mental coletados pelo UK Biobank, um banco biomédico com mais de meio milhão de participantes do Reino Unido, que tiveram suas informações coletadas de 2006 a 2010.

Da amostra total de 86 mil pessoas, pouco menos de um terço (31%) dos indivíduos tinha transtorno depressivo, o que vai de encontro com a prevalência global da doença mensurada por estudos anteriores.

Os cientistas concluíram que os participantes com depressão apresentavam níveis mais elevados de CRP no sangue, em comparação com os pacientes não deprimidos. Quem tinha a doença psiquiátrica era mais propenso a ter inflamação de baixo grau, caracterizada por menos de 3 mg da proteína por litro de sangue.

O efeito da CRP era menor, mas ainda significativo, quando, além da depressão, a pessoa já tinha fatores conhecidos por aumentarem a inflamação do corpo, como tabagismo, alto índice de massa corporal (IMC), traumas, etc. 

Uma análise mais aprofundada revelou que o aumento da inflamação na depressão é apenas parcialmente explicado por fatores como o IMC e tabagismo, consumo de álcool, exposição a traumas precoces e status socioeconômico.

Para que a pesquisa fosse possível, os autores foram então descartando os fatores anteriores até identificarem o importante papel da CRP por trás do aumento da inflamação em pacientes depressivos.

“Se pudermos identificar esse processo e descobrir mais detalhes sobre seu papel no desenvolvimento da depressão, podemos preparar o caminho para testar novos tratamentos para esse transtorno de saúde mental generalizado”, diz em comunicado, Carmine Pariante, coautor do estudo, que trabalha no Maudsley Biomedical Research Center, na Inglaterra.

Galileu