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J.P. Morgan eleva projeção para a Selic de 5,5% para 6,5% no fim deste ano

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O ambiente de pressões inflacionárias mais fortes no curto prazo, uma retração menor da atividade do que o esperado e o viés de alta nas expectativas de inflação de médio prazo devem fazer com que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central precise dar “um passo adiante” e entregar uma normalização completa dos juros aliada a uma retórica mais favorável ao aperto monetário (“hawkish”). A avaliação é dos economistas Cassiana Fernandez e Vinicius Moreira, do J.P. Morgan, cuja projeção para a Selic no fim deste ano foi elevada de 5,50% para 6,50%.

“As informações que chegam sugerem mais evidências de desancoragem das expectativas de inflação para o próximo ano”, afirmam, em relatório enviado a clientes. O primeiro ponto citado pelos economistas está nas maiores pressões inflacionárias de curto prazo de fatores domésticos, como energia e preços administrados, e o aumento dos preços internacionais de commodities. O J.P. Morgan, inclusive, também elevou sua estimativa para o IPCA neste ano para 5,3%, acima, portanto, do teto da meta de inflação.

O segundo ponto defendido pelos economistas está nas notícias mais recentes sobre mobilidade, que apontam para uma retração da atividade “menor do que temíamos, aumentando os riscos para nossas projeções de atividade de curto prazo”. Já o último ponto, está nas expectativas de inflação de médio prazo, que continuam em alta.

“Enquanto a mediana para o IPCA de 2022 tem girado em torno de 3,60%, nas últimas semanas, a medida de alta frequência das projeções que foram revisadas na última semana já está em 3,69%, mesmo que assuma taxa Selic de 6,25% ao final do próximo ano.”

Fernandez e Moreira notam, ainda, que o formato de distribuição de frequência das estimativas de inflação para 2022 “mostra que há um claro viés altista, com uma concentração preocupante em torno da faixa de 3,86% a 4,26%, além da mediana em 3,61%”. Para o próximo ano, o J.P. Morgan projeta que o IPCA ficará em 3,7%.

Nesse contexto, os economistas acreditam que o BC não deve apenas intensificar o tom do comunicado nesta semana e excluir a indicação de ajuste parcial, “mas também deverá entregar uma normalização total do ciclo até o fim de 2021, a despeito do hiato do produto aberto e da alta taxa de desemprego”.

Após a reunião de maio, o J.P. projeta mais duas elevações de 0,75 ponto na Selic, seguidas de mais três aumentos de 0,50 ponto entre setembro e dezembro.

1 de 1 — Foto: Luis Ushirobira/Valor

— Foto: Luis Ushirobira/Valor

Fonte: Valor Econômico