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Japão enfrenta alta de casos provocados por variantes do coronavírus

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O Japão assistiu a um rápido crescimento do número de infecções por variantes do novo coronavírus. Os casos confirmados deram um salto de 60% em uma única semana, o que complica o trabalho de um governo que tenta, a qualquer custo, conter a pandemia na expectativa da Olimpíada de Verão.

Um total de 271 casos provocados por novas cepas – consideradas mais infecciosas – foi confirmado no Japão na terça-feira (9), de acordo com o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do país. O número representa uma alta em relação aos 165 casos registrados na semana anterior.

Novos 74 casos de cepas mutantes foram encontrados por meio de quarentenas em aeroportos. Um viajante das Filipinas teve confirmação de estar infectado por uma variante encontrada naquele país.

Em nações em que cepas resultantes de mutações se tornaram dominantes, a alta no número de hospitalizações voltou a pôr à prova as instalações médicas. O Japão tentará deter a propagação das variantes por meio de limitações à chegada de viajantes do exterior. Mas especialistas dizem que o número de casos decorrentes de sua incidência pode ser maior do que o notificado.

Variantes altamente transmissíveis

O alcance geográfico das novas variantes, além disso, está se expandindo. Foram encontrados casos em 21 de 47 áreas administrativas japonesas, em relação às 17 áreas administrativas da semana anterior.

A Área Administrativa de Osaka teve o número mais elevado de casos, contabilizando 62.

A variante britânica foi, de longe, a mais comum, respondendo por 260 casos. A cepa britânica é considerada como sendo de 40% a 70% mais contaminante do que as versões anteriores, e um estudo mostra que a variante é 60% mais letal.

Na sexta-feira (12), o Ministério da Saúde japonês informou que um homem na casa dos 60 anos, que desembarcou no Aeroporto de Narita, em Tóquio, vindo das Filipinas, em 25 de fevereiro, testou positivo para uma cepa originária daquele país. O ministério disse que a variante representa ameaça aproximadamente semelhante à das variantes britânica, sul-africana e brasileira.

Houve 34 casos do vírus mutante registrados nas Filipinas em 2 de março, de acordo com um anúncio do Departamento de Saúde do país. O Instituto Nacional de Doenças Infecciosas do Japão diz que o governo deveria examinar a possibilidade de endurecer as medidas de fronteira.

Em vista de os casos recém-confirmados de covid-19 terem alcançado, em média, 1 mil ao dia no Japão, o número das infecções por novas variantes ainda é pequeno, comparativamente. Mas os especialistas da área temem que as novas cepas estejam se propagando de uma forma mais difícil de detectar.

Em Kobe, que está tentando agressivamente identificar casos de cepas variantes, a cepa britânica respondeu por 39% dos novos casos de covid-19 detectados durante a semana encerrada no dia 4 de março, em comparação com os 22% da semana anterior.

“Não há dúvida de que ela [a variante] está se propagando”, disse o prefeito de Kobe, Kizo Hisamoto.

Subnotificação

Há grande probabilidade de que algumas pessoas infectadas com cepas decorrentes de mutação não tenham tido seus casos notificados. Um total de 1.234 pacientes de covid-19, ou apenas 17,4% dos novos casos da doença, fizeram exames de detecção de variantes em 37 áreas administrativas japonesas, na semana encerrada em 28 de fevereiro.

A partir deste mês, a detecção de variantes foi realizada em todas as áreas administrativas. Mas autoridades do governo japonês mantêm a posição de que as novas cepas não se propagaram amplamente por todo o país.

Na Área Administrativa de Tokushima, localizada na ilha de Shikoku, no entanto, foram registrados, na sexta-feira, nove casos das variantes mutantes.

As novas cepas “vão se tornar as predominantes mais cedo ou mais tarde”, disse Shigeru Omi, que comanda o subcomitê do governo de reação à covid-19.

Cepa brasileira

A propagação da cepa brasileira, tida como sendo de 40% a 120% mais infecciosa, saiu de controle. O país registrou 2.286 casos fatais por covid-19 na quarta-feira, mais que o registrado pelos EUA no mesmo dia.

A cepa britânica respondeu por 54% dos novos casos registrados na Itália em meados de fevereiro, juntamente com 65% dos novos casos na França. Na região italiana de Molise 70% dos leitos de UTI estão ocupados. A França impôs determinações de que as pessoas ficassem em casa no fim de semana em Nice e em duas outras regiões.

Limitação nas fronteiras

Por seu lado, o ministro dos Transportes do Japão, Kazuyoshi Akaba, divulgou oficialmente um plano destinado a limitar o número de pessoas que ingressam no país a 2.000 ao dia, por enquanto. O limite também valerá para cidadãos japoneses em viagem de volta para casa.

Para combater a propagação das novas cepas, o professor de epidemiologia molecular Mitsuyoshi Urashima, da Faculdade de Medicina da Universidade Jikei de Tóquio, conclama o governo a adotar medidas preventivas precoces.

“Há uma boa probabilidade de que as variantes se disseminem até o fim de abril, principalmente nas áreas urbanas”, disse Urashima. “Se os [casos] crescerem por uma ampla margem, não haverá como conter a epidemia, nem com a tomada de medidas.”

Fonte: Valor Econômico