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Maior nível de CO2 na atmosfera dos últimos 63 anos é registrado no Havaí

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Cientistas do Observatório Atmosférico de Mauna Loa, localizado no Havaí, EUA, registraram a maior média mensal do nível de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera desde 1958 (Foto: Susan Cobb/Laboratório de Monitoramento Global do NOAA)
Cientistas do Observatório Atmosférico de Mauna Loa, localizado no Havaí, EUA, registraram a maior média mensal do nível de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera desde 1958 (Foto: Susan Cobb/Laboratório de Monitoramento Global do NOAA)

Em maio de 2021, cientistas do Observatório Atmosférico de Mauna Loa, no Havaí, registraram a maior média mensal do nível de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera desde 1958, ano em que foram iniciadas as medições no local. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (7) por pesquisadores da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), órgão do qual o observatório faz parte, e da Instituição Scripps para Oceanografia da Universidade da Califórnia em San Diego.

A média registrada pelos cientistas do NOAA foi de 419,13 partes por milhão (ppm), enquanto pesquisadores da Institutição Scripps calcularam 418,92 ppm, o que dá uma média de 419 ppm no mês. Para comparação, em maio de 2020 foram detectadas 417 ppm.

O quinto mês do ano costuma ser o de maior média de CO2 por conta do acúmulo do gás emitido durante o outono, o inverno e o início de primavera no Hemisfério Norte. Após esse mês, as plantas dessa parte do planeta começam a crescer e remover grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera. Esse aumento sazonal foi notado pela primeira vez pelo climatologista Charles David Keeling, que também observou o constante aumento anual dos níveis de CO2 na atmosfera. De fato, desde o início das medições, os níveis registrados a cada ano são sempre maiores do que o ano anterior.

Gráfico representa a trajetória ascendente do dióxido de carbono na atmosfera, medida no Observatório de Linha de Base Atmosférica de Mauna Loa pela NOAA e pelo Scripps Institution of Oceanography. A flutuação anual é conhecida como Curva de Keeling (Foto: NOAA Global Monitoring Laboratory)
Gráfico representa a trajetória ascendente do dióxido de carbono na atmosfera, medida no Observatório de Linha de Base Atmosférica de Mauna Loa pela NOAA e pelo Scripps Institution of Oceanography. A flutuação anual é conhecida como Curva de Keeling (Foto: NOAA Global Monitoring Laboratory)

“Estamos adicionando cerca de 40 bilhões de toneladas métricas de poluição de CO2 à atmosfera por ano”, afirma Pieter Tans, cientista sênior do Laboratório de Monitoramento Global da NOAA. “Essa é uma montanha de carbono que extraímos da Terra, queimamos e liberamos na atmosfera como CO2 — ano após ano. Se quisermos evitar uma mudança climática catastrófica, a maior prioridade deve ser reduzir a poluição de CO2 a zero o mais cedo possível.”

Além do aumento mensal, os cientistas também observaram que nos primeiros cinco meses de 2021 houve um crescimento de 2,3 ppm em relação ao mesmo período do ano passado. Essa quantidade está próxima à média de aumento anual registrada entre os anos de 2010 a 2019.

Panorama

Em geral, o CO2 é um produto emitido pela queima de combustíveis fósseis à base de carbono usados no transporte e na geração de energia elétrica, além de outras práticas, como o desmatamento e a agricultura. Atualmente, o CO2 é o gás de efeito estufa mais abudante na nossa atmosfera e ele pode persistir nela e nos oceanos por milhares de anos.

Os níveis atuais de carga atmosférica de CO2 são comparáveis aos estimados no Ótimo Climático do Plioceno, ocorrido entre 4,1 milhões e 4,5 milhões de anos atrás, quando a quantidade de dióxido de carbono era de cerca de 400 ppm.

Galileu