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Mais de 25% dos pubs podem não resistir à pandemia e fechar no Reino Unido

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1 de 1 — Foto: Matt Dunham/AP Photo

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O Ye Olde Man and Scythe, um pub na cidade de Bolton, no norte da Inglaterra, sobreviveu a incêndios, inundações, guerras e um a massacre local desde que foi aberto em 1251. Mas seus funcionários não estão convencidos de que ele conseguirá resistir à pandemia de covid-19.

Segundo estimativas publicadas pelo jornal “Financial Times”, mais de 25% dos 39,7 mil pubs do Reino Unido podem fechar em meio à crise. A rede JD Wetherspoon, uma das mais conhecidas do país, anunciou nesta sexta-feira ter registrado o primeiro prejuízo desde sua abertura, em 1984.

Pubs como o Ye Olde Man e os que pertencem à JD Wetherspoon perderam meses de negócios por causa dos confinamentos decretados para conter a covid-19 e voltaram ao centro das atenções nas últimas semanas por causa das novas restrições anunciadas pelo governo de Boris Johnson para tentar controlar uma segunda onda de casos da doença.

A indústria dos pubs gerava 23 bilhões de libras (cerca de R$ 167 bilhões) em vendas antes de a doença chegar ao Reino Unido. Apesar de não ser uma das maiores do país, está entre as mais antigas e mais conhecidas mundialmente. Agora, enfrenta sua mais profunda crise.

Vários empregos já foram perdidos. A British Beer and Pub Association (BBPA) estima que 290 mil postos de trabalho estão em risco em todo o setor. A maior parte dos funcionários desses estabelecimentos (43%) têm menos de 25 anos.

Em todo o Reino Unido, os pubs, que são vistos pelo governo como um vetor para a transmissão do vírus, já foram obrigados a fechar as portas às 22h. Agora, em áreas onde as taxas de infecção estão crescendo, as autoridades determinaram que eles deixem de funcionar completamente, em um novo esforço para conter a disseminação da doença antes da chegada do inverno.

A Marston’s – uma das operadoras de pubs mais expostas às restrições mais rígidas já adotadas no norte da Inglaterra – disse nesta semana que demitiria 2.150 funcionários. A rede Greene King, vendida ao bilionário Victor Li, de Hong Kong, em 2019, planeja fechar 79 estabelecimentos, colocando 800 empregos em risco. Young’s, Wetherspoons, Fuller’s e City Pub Company também informaram que planejam cortar centenas de trabalhadores por causa da crise.

Dos 39,7 mil pubs no Reino Unido, 23 mil são administrados por apenas um proprietário ou fazem parte de pequenas redes, todos seriamente ameaçados de fechar permanentemente devido aos impactos da pandemia.

Mas nem mesmo as grandes companhias estão livres dos riscos. Em um sinal da extrema necessidade de financiamento do setor, essas empresas levantaram cerca de 4 bilhões de libras por meio da venda de ações desde março.

“Muitos pubs não vão reabrir”, disse ao “FT” o executivo-chefe da Fuller’s, Simon Emeny, ressaltando que a perda dos empregos trará prejuízos para as comunidades locais. O CEO da Greene King, Nick Mackenzie, afirma que criou uma equipe para monitorar os índices de transmissão. A ideia é tentar prever quando o governo adotará mais restrições. “É muito, muito difícil”, disse ele.

Já a executiva-chefe do BBPA, Emma McClarkin, destacou que o Reino Unido perderá uma atração única com a crise. “A imprensa internacional sempre entra em contato comigo porque está preocupada com o setor de cervejas e pubs britânicos. Eles têm seus próprios bares e sua própria cerveja, mas o pub britânico é algo que não pode ser reproduzido”, disse ela.

Fonte: Valor Econômico