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Máscara cirúrgica de 3 camadas blinda contra gotículas de tosse e espirro

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Máscaras faciais com elástico podem despertar reações alérgicas nos pacientes (Foto: Mika Baumeister / Unsplash)
Máscara cirúrgica de 3 camadas blinda contra gotículas de tosse e espirro (Foto: Mika Baumeister / Unsplash)

Embora seja unanimidade que o uso de máscara é essencial para conter a disseminação do novo coronavírus, cientistas ainda buscam compreender a melhor forma de utilizar o acessório a fim de garantir proteção. Você já deve ter ouvido, por exemplo, que máscaras com três camadas de tecido são mais eficazes, certo?

Mas, até agora, o que se sabia é que esses equipamentos são eficazes em blindar contra partículas pequenas, os chamados aerossóis. E, segundo um estudo publicado no último dia 5 de março no periódico Science Advances, essas máscaras também são as mais indicadas em barrar gotículas maiores, expelidas por tosse ou espirro.

Os testes — conduzidos por engenheiros da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), do Instituto Indiano de Ciência (Índia) e da Universidade de Toronto (Canadá) — evidenciam que gotículas grandes conseguem penetrar máscaras cirúrgicas com uma ou duas camadas e se transformam em partículas menores. Sabe-se que os aerossóis permanecem no ar por bastante tempo e, no caso de gotículas contaminadas pelo Sars-Cov-2, permitem a disseminação aérea do vírus.

Para conduzir os experimentos, os pesquisadores utilizaram um gerador de gotículas e uma câmera que gravou em modo time-lapse, técnica que permite a exibição de eventos demorados em um curto período. Eles observaram que gotículas grandes infectadas por um vírus falso foram atomizadas quando bateram contra uma máscara de camada única — e vários dos aerossóis gerados a partir disso conseguiram atravessar a barreira.

Segundo os autores, a máscara cirúrgica de apenas uma camada restringiu somente 30% do volume de uma gota de 620 mícrons — o tamanho de uma partícula expelida em uma tosse ou espirro. Já uma máscara de camada dupla barrou cerca de 91% do volume da gota. A máscara de três camadas, por sua vez, blindou praticamente 100% das gotículas.

Impacto da gota na superfície da máscara registrado a 20 mil quadros por segundo. Essas imagens de sequência de tempo de impacto de gotículas em máscaras de camada única, dupla e tripla mostram que a contagem do número total de gotículas atomizadas é significativamente maior para a máscara de camada única em comparação com a máscara de camada dupla, enquanto apenas uma única gota penetra através da máscara de camada tripla. (Foto: Basu et al, Science Advances, March 5 2021)
Impacto da gota na superfície da máscara registrado a 20 mil quadros por segundo. Essas imagens de sequência de tempo de impacto de gotículas em máscaras de camada única, dupla e tripla mostram que a contagem do número total de gotículas atomizadas é significativamente maior para a máscara de camada única em comparação com a máscara de camada dupla, enquanto apenas uma única gota penetra através da máscara de camada tripla. (Foto: Basu et al, Science Advances, March 5 2021)

“Embora seja esperado que grandes partículas sólidas na faixa de 500 a 600 mícrons devam ser interrompidas por uma máscara de camada única com tamanho médio de poro de 30 mícrons, estamos mostrando que esse não é o caso para gotículas líquidas”, afirma, em comunicado, Abhishek Saha, professor de engenharia mecânica e aeroespacial na UC San Diego e coautor do artigo.

Ele explica que, se essas gotículas respiratórias maiores tiverem velocidade suficiente — o que acontece na tosse e no espirro —, ao pousar em uma máscara de camada única ou dupla, elas se dispersam e atravessam os poros menores do equipamento.

Isso também é um problema considerando que, ao contrário das partículas grandes, que rapidamente caem ao chão pela ação da gravidade, os aerossóis de 50 a 80 mícrons permanecem no ar e podem se dispersar por distâncias maiores.

Os cientistas reconhecem, no entanto, que usar corretamente uma máscara de uma ou duas camadas é melhor do que não se proteger. Eles esperam que esses achados ajudem fabricantes a produzir máscaras mais seguras e planejam, ainda, investigar como os materiais ou a umidade no acessório impacta o atrito com partículas respiratórias.

Galileu