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Ministro da Educação defende que universidade “deveria ser para poucos”

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Ministro da Educação defende que universidade
Ministro da Educação defende que universidade “deveria ser para poucos” (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Na noite desta segunda-feira (9), o ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou que a “universidade, na verdade, deveria ser para poucos nesse sentido de ser útil à sociedade”. A declaração foi dada durante o programa Sem Censura, da TV Brasil, ao qual Ribeiro foi convidado para discutir assuntos como o retorno das aulas presenciais e o ensino profissionalizante.

Quando questionado sobre o futuro que enxerga para os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) do país, o ministro respondeu que esses centros, que formam profissionais técnicos, “serão a grande vedete” nos próximos anos — ou seja, uma espécie de protagonista.

Na visão de Ribeiro, engenheiros e advogados atuando como motoristas de aplicativos são exemplos de como não há lugar no mercado para tantos diplomados. “Se ele fosse um técnico em informática, estaria empregado, porque há uma demanda muito grande”, declarou. “Acho que o futuro são os institutos federais, como é na Alemanha. Na Alemanha são poucos os que fazem universidade. Universidade, na verdade, deveria ser para poucos nesse sentido de ser útil à sociedade”, disse.

Reitores e política

Em outro momento da entrevista, Milton Ribeiro comentou sobre reitores de universidades — uma questão que tem sido alvo de críticas no governo de Jair Bolsonaro, porque o presidente rompeu uma tradição de cerca de três décadas e nomeou pelo menos 19 reitores que não foram eleitos internamente pela comunidade acadêmica, conforme aponta uma matéria da Folha de S.Paulo.

O ministro da Educação defendeu que quem ocupa o cargo de reitor não precisa ser bolsonarista, mas também “não pode ser esquerdista, não pode ser lulista”. Para ele, “as universidades federais não podem se tornar um comitê político do partido A nem de direita, mas muito menos de esquerda.”

“Maus professores” e escolas fechadas

Outro aspecto explorado durante o programa foi a retomada das aulas presenciais. No entendimento de Ribeiro, alguns docentes, os “maus professores”, exigem a vacinação para todos e querem manter os colégios fechados. “A culpa não é do governo federal. Se pudesse, eu teria mandado abrir todas as escolas, mas não podemos. Depende das redes municipais e estaduais”, comentou.

A discussão sobre o ensino presencial ainda é complexa do ponto de vista sanitário e, como mostra um estudo da Universidade de São Paulo (USP) divulgado pelo G1, não há garantia de um retorno seguro em meio à crise de Covid-19. A conclusão tem como base uma análise realizada a partir de oito critérios: máscaras, ventilação, imunização, testagem, transporte, ensino remoto, distanciamento, e higiene.

Os pesquisadores avaliaram os protocolos sanitários de Amazonas, Ceará, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e São Paulo (estados representativos nas respostas à pandemia) e notaram que os índices de segurança para o retorno presencial variaram de 30 a 59, sendo 100 a pontuação máxima. 

Assista à entrevista de Milton Ribeiro:

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Galileu