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Mutações ajudam variante Epsilon a fugir da neutralização de anticorpos

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O novo coronavírus SArs-Cov-2 causador da Covid-19 (Foto: Visual Science)
Mutações na variante Epsilon contribuem para evasão imunológica (Foto: Visual Science)

A variante Epsilon emergiu pela primeira vez na Califórnia, nos Estados Unidos, quando foi nomeada como CAL.20C. Em seguida, ela se transformou nas linhagens B.1.427 e B.1.429 e já foi identificada em 34 outros países — mas não no Brasil. Agora, cientistas conseguiram descobrir como o nosso sistema imunológico se comporta diante dessa variante.

Em estudo publicado no periódico Science, pesquisadores detectaram mutações na proteína spike da variante Epsilon que são capazes de enfraquecer de 2 a 3,5 vezes o potencial de neutralização dos anticorpos.

Para chegar a essa conclusão, a equipe liderada pela Universidade de Washington, nos EUA, realizou testes de resiliência com o Sars-CoV-2 e o plasma de pessoas que haviam sido infectadas pelo vírus e o de indivíduos vacinados com imunizantes de RNA mensageiro (mRna).

Além disso, foram feitas investigações estruturais com a ajuda de crio-microscopia eletrônica para entender por quê os anticorpos têm dificuldade para agir sobre a proteína spike, que é utilizada pelo coronavírus para contaminar as nossas células.

Assim, os cientistas descobriram que existem três mutações principais — identificadas como S13I, W152C e L452R — em áreas relevantes da proteína spike que permitem que o Sars-CoV-2 escape da ação de alguns anticorpos.

A alteração L452R da variante Epsilon afetou a região de domínio de ligação de receptor. Como resultado, essa mudança reduziu o poder de neutralização dos anticorpos em 14 dos 34 casos analisados.

As outras duas modificações acometeram a área de domínio N-terminal e fizeram com que todos os 10 anticorpos testados falhassem na neutralização do agente infeccioso, contribuindo para a chamada “evasão imunológica”, como afirmam os pesquisadores no artigo.

Galileu