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Nova fórmula à base de cannabis pode ser mais eficaz contra epilepsia

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Pesquisadores da Entourage Phytolab divulgaram o resultado da primeira fase de testes de uma nova formulação à base de Cannabis (Foto: Divulgação/Rodrigo Braga)
Pesquisadores da Entourage Phytolab divulgaram o resultado da primeira fase de testes de uma nova formulação à base de Cannabis (Foto: Divulgação/Rodrigo Braga)

A Entourage Phytolab, empresa pioneira no desenvolvimento e pesquisa de medicamentos
à base de cannabis no Brasil, divulgou os resultados da primeira fase de testes de uma nova fórmula para epilepsia que promete produzir um medicamento mais eficiente à base de canabidiol (CBD), substância da maconha com efeitos terapêuticos.

As pesquisas, que começaram em 2017, foram realizadas na sede da biotech em Valinhos, no interior de São Paulo. Dentre as 50 formulações diferentes desenvolvidas, seis foram testadas em animais e, por fim, duas integraram os testes em seres humanos.

A fórmula foi criada a partir da diluição do extrato de cannabis em um óleo, misturado com substâncias químicas que compõem o medicamento. Segundo a Entourage Phytolab, a diferença entre a formulação nova e as vigentes é a combinação desses elementos, que culmina em uma melhor absorção do medicamento no organismo.

Comparada à geração atual de drogas à base de canabidiol, ela aumenta em até duas vezes a concentração de CBD que chega ao sangue. “Geralmente, nosso organismo não absorve toda a medicação, boa parte das substâncias é perdida nesse processo”, explica o CEO da empresa, Caio Santos Abreu. “No entanto, essa nova formulação entrega um aumento de 60% da absorção do medicamento”.

Os resultados também mostram que as reações ao medicamento entre diferentes pessoas variaram menos. “Em geral, os tratamentos à base de canabinoides produzem efeitos diferentes de paciente para paciente”, afirma Manuel De Prá, head de pesquisa e desenvolvimento da Entourage Phytolab e responsável pelo estudo, em nota à imprensa. “A variabilidade dos nossos resultados é três vezes menor do que a dos produtos disponíveis no mercado atualmente. É um grande avanço, que dá mais confiança aos médicos na hora de prescrever”.

Segundo Abreu, esses benefícios também podem ser repassados no custo para aqueles que precisam do tratamento. Isso porque, como o produto é mais eficiente, precisa-se de uma quantidade menor dele para chegar ao efeito desejado. 

Agora, o medicamento avançará para as etapas finais dos estudos clínicos. Na segunda fase, prevista para acontecer no primeiro semestre de 2021, a formulação será testada em um número maior de pacientes. Se a eficácia for demonstrada, o medicamento poderá ser encaminhado para registro ainda no ano que vem. 

*Com supervisão de Luiza Monteiro

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