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Nova Zelândia acende alerta para Covid-19 transmitida por alimento congelado importado

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A última semana trouxe a atenção para um elemento frequentemente ignorado na pandemia de Covid-19. Afinal de contas, quais são as chances de que a comida congelada pode transmitir o coronavírus e contribuir para a propagação da doença em um país?

O debate se acirrou com a notícia de que a China detectou sinais do vírus em um carregamento de frango congelado vindo diretamente do Brasil, e algo similar aconteceu com uma carga de camarão vindo do Equador.

Primeiro, é importante observar o que se diz quando se fala em “sinais do vírus”. Não significa, necessariamente, que é o vírus ativo, capaz de infectar uma pessoa. O teste realizado para este tipo de detecção monitora o código genético do vírus, mas para isso ele já pode estar totalmente inativado. Não há evidência de que os vírus encontrados desta forma ainda possam se replicar.

Ainda assim, isso acendeu um alerta vermelho internacional exatamente ao mesmo tempo em que a Nova Zelândia, que conseguiu controlar a Covid-19 por mais de 3 meses, começou a registrar novos surtos com transmissão local, sem que as autoridades pudessem cravar como o vírus entrou no país, que se tornou uma ilha de acesso extremamente controlado, em que todos que entram precisam passar por um período obrigatório de quarentena.

A primeira suspeita? Alimentos congelados importados, como relata o New Zealand Herald.

E existem motivos para essa suspeita. Entre as quatro pessoas diagnosticadas em uma família, uma trabalha para a Americold, uma multinacional originada nos Estados Unidos especializada no armazenamento de produtos congelados e com atuação na Nova Zelândia. Isso leva as autoridades a suspeitar de que esse pode ter sido um canal para propagação do vírus, já que pessoas não podem entrar livremente no país.

Com essas suspeitas, a empresa passa a ser alvo de investigação do governo neozelandês, que fará testes sobre as superfícies das instalações da Americold no país para descobrir se alguma carga congelada pode ter sido o vetor de contaminação que causou esse novo surto e que forçou a retomada das medidas de lockdown.

As dúvidas giram em torno sobre quanto o vírus é capaz de resistir sem um hospedeiro. As melhores estimativas da ciência apontam que, em temperatura ambiente, o Sars-Cov-2 não resiste mais do que alguns dias, com o prazo mais comum apontado como três dias. No entanto, esse tempo aumenta consideravelmente em temperaturas frias, o que daria a oportunidade de o vírus viajar internacionalmente em cargas congeladas.

Mas eu posso me infectar com comida congelada?

Apesar das suspeitas, não há confirmação de que esse tipo de contaminação internacional por alimentos tenha acontecido. A sequência de eventos para que isso aconteça é bastante improvável, mas teoricamente, não é impossível.

Não há registros na literatura científica até o momento de infecção por ingestão, já que o vírus se reproduz melhor no sistema respiratório e pode sofrer com a acidez estomacal, como relata o New York Times. Isso faz com que os maiores riscos estejam associados a tocar no alimento congelado contaminado e levar o vírus até o rosto, por isso é uma boa ideia higienizar as mãos após manipular alimentos.

Sabe-se, no entanto, que os frigoríficos têm sido, por todo mundo grandes focos de contaminação entre funcionários pela proximidade entre as pessoas, falta de circulação de ar e a baixa temperatura. Isso faz com que não seja incomum a presença do vírus no produto que manipulam: carne congelada.

No fim, você, como consumidor, tem pouquíssimas chances de ser afetado diretamente por produtos congelados que tenham sido transportados internacionalmente, mesmo que carreguem o vírus, já que o caminho é longo até o mercado, com várias etapas, provavelmente grandes variações de temperatura durante o transporte, com diferentes níveis de embalagem. As suspeitas da Nova Zelândia residem em um outro tipo de pessoa, que lida diretamente com carregamentos de produtos congelados.

Confira em tempo real a COVID-19 no Brasil:

Fonte: Olhar Digital