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Orçamento “inexequível” é fator de preocupação para o BC, diz Campos Neto

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O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, disse que o impasse no orçamento agrava o contexto de incertezas fiscais do país. Em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo, ele disse também que a vacinação no Brasil é que vai ditar o ritmo de reabertura e retorno ao crescimento da economia.

O ministro Paulo Guedes (Economia) disse para o presidente Jair Bolsonaro que o Orçamento aprovado pelo Congresso pode, se sancionado, levar a um processo de impeachment. A peça orçamentária aumentaria de maneira ilegal as despesas com investimentos e isso pode levar ao desrespeito da regra constitucional do teto de gastos e à quebra da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).

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“Se o Orçamento passar, a percepção de que ele é inexequível ou precise fazer algum tipo de suplementação de crédito para que atinja os números é um fator que vai preocupar o BC. É um fator que vai alterar o prêmio de risco fiscal que está embutido nas variáveis macroeconômicas e isso atrapalha a condução da política monetária”, disse.

De acordo com Campos, o risco de descontrole fiscal e o possível atraso da abertura da economia estão no radar da autoridade monetária para a definição da taxa básica, a Selic, que subiu de 2% para 2,75% ao ano na última reunião do Copom (Comitê de Polícia Monetária) e deve aumentar mais 0,75 ponto percentual no encontro de maio.

“A vacinação é o que faz a economia abrir. Para o BC, é relevante ter uma estimativa de abertura da economia para traçar o nosso cenário. O 2º ponto é o fiscal [os gastos públicos]. Olhando as curvas de juros do mercado, há um prêmio muito grande relacionado à incerteza fiscal. Qualquer incerteza em relação ao Orçamento agrava a incerteza fiscal. Entendo que o Orçamento ainda não está fechado e estou acompanhando para ver qual é a informação que vai sair da negociação para usarmos nos nossos cenários”, declarou.

Campos Neto disse que o país tem que passar credibilidade em relação a uma “convergência fiscal à frente”, quando passar o período de expansão de gastos para diminuir o impacto da pandemia de covid-19 na vida das pessoas. Citou que o Brasil é o país mais endividado do mundo emergente.

SELIC AOS 2,75% AO ANO

O Banco Central elevou os juros de 2% para 2,75% ao ano. O mercado financeiro estimava uma alta de 0,5 ponto percentual. Apesar disso, o dólar não registrou queda, como o esperado. Questionado sobre o tema, Campos Neto afirmou que a política de juros não olha para o câmbio.

“O que importa é como o movimento do câmbio afeta a inflação. O movimento dos juros foi feito com os cenários que nós tínhamos. Na parte do crescimento [econômico], tínhamos boas notícias. O resultado do 4º trimestre tinha sido melhor que o esperado”, disse.

Sobre a inflação, disse que houve um grande aumento das expectativas em relação a 2021 e que grande parte se dá por fatores temporários.

“Os juros em 2% estavam dentro de um contexto de inflação e crescimento que não se realizaram. Entendemos que o Brasil ainda precisa de condições estimulativas. Ou seja, uma taxa de juros que estimule a economia. O BC não vai sair de onde está hoje para uma taxa neutra de juros. O BC fará uma normalização da taxa parcial. Essa é a mensagem. Lembrando que não foram só os juros que serviram como estímulo”, disse.

A alta dos juros foi feita depois do PIB (Produto Interno Bruto) do país cair 4,1% em 2020. O presidente do BC diz, porém, que os dados do 4º trimestre do ano passado demonstravam retomada da economia. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil cresceu 3,2% no período em comparação com o trimestre de julho a setembro –na série com ajuste sazonal.

Campos Neto afirmou que o aumento de juros não vai influenciar fortemente o crescimento de 2022.

“O BC controla os juros curtos, mas tem um conjunto de outras variáveis que não estão no controle do BC, como a curva longa de juros, o câmbio e outras condições. É importante conduzir a política com credibilidade. É o que maximiza, ao longo do tempo, o processo onde a inflação seja menos volátil, mais estável e baixa”, disse.

Ele afirmou que de 2014 a 2016, o país registrou inflação para “cima” e crescimento para “baixo”, e que o BC tem que agir para que a alta dos preços atual não leve a uma “mudança estrutural”.

“Não achamos que a inflação tenha possibilidade de sair do controle. Acreditamos que estamos com a análise correta em relação ao que tem acontecido e sempre enfatizando que não temos como atuar numa inflação de curto prazo. O nosso horizonte é um pouco mais longo. O importante é passar a mensagem de que o BC tem total autonomia, sempre entendendo que o nosso horizonte é um pouco mais longe do que o imediato”, disse.

RECUPERAÇÃO ECONÔMICA

O presidente do Banco Central defendeu que, se no período de vacinação da covid-19 a abertura da economia for muito rápida, e tiver uma nova onda de contaminação, o Brasil pode ter algum prejuízo à reabertura do comércio.

“Mas o BC não trabalha com especulações e nem somos da área da medicina. O que fazemos é uma curva de vacinação e tentamos imaginar a sua eficiência. E, baseado nisso, acreditamos que no 2º semestre vamos ver uma reabertura da economia”, afirmou.

De acordo com ele, a parte formal do emprego recuperou rápido. Na parte sem carteira assinada, existe uma dúvida.

“Parte das pessoas acha que, com a economia reabrindo no 2º semestre, a parte informal recupera rápido. Outro grupo avalia que a parte informal pode não se recuperar tão rápido porque teve mudanças estruturais durante a pandemia. Acreditamos que, sim, a parte informal foi surpreendente. Baseado em todos os dados disponíveis. O BC não disse em nenhum momento que tem um crescimento espetacular. Ao contrário, abaixamos a previsão (para o PIB) de 3,8% para 3,6% em 2021. Temos um cenário de abertura no 2º semestre que é um pouco mais otimista”, disse.

MINISTÉRIO DA ECONOMIA

Campos Neto afirmou que nunca houve convite para substituir o ministro Paulo Guedes (Economia) no comando da pasta. Ele disse que tem uma agenda e uma missão no BC para cumprir.

AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL

O presidente Jair Bolsonaro sancionou em fevereiro o texto aprovado no Congresso que permite que a autoridade monetária tenha independência do Poder Executivo. Questionado sobre o que mudou, Campos Neto afirmou que houve uma separação da atuação do BC com o “ciclo político“, já que o presidente eleito não poderá mudar o comandante do BC no 1º ano de mandato.

“Tem equilíbrio entre o mandato do presidente do BC e dos diretores. Lembrando que o presidente do BC vai nomear dois diretores. É um arcabouço mais sustentável quando olhamos para o longo prazo. E por ser mais sustentável, e passar uma credibilidade maior, faz com que ao longo do tempo a inflação seja mais baixa e volátil. Os estudos mostram isso”, afirmou.

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