ciência

Pandemia interrompeu vacinação de rotina para 17 milhões de crianças

70views
Em abril de 2020, houve um pico na quantidade de crianças não eram vacinadas com DTP3 ou MCV1, segundo estudo (Foto: Secad )
Em abril de 2020, houve um pico na quantidade de crianças não vacinadas contra sarampo, difteria, tétano e coqueluche, segundo estudo (Foto: Secad)

Com a atenção do mundo voltada para a pandemia de Covid-19, a vacinação de rotina contra doenças como sarampo, difteria, tétano e coqueluche, deixou de ser administrada em ao menos 17 milhões de crianças de países de baixa ou alta renda em 2020. O dado alarmante é de um estudo, publicado no renomado jornal científico The Lancet, nesta quarta-feira (14).

A pesquisa estima que, no mundo todo, deixaram de ser aplicadas 8,5 milhões de terceiras doses da vacina DTP, também chamada de tríplice bacteriana (contra difteria, tétano e coqueluche), e 8,9 milhões de primeiras doses do imunizante MCV, que protege contra o sarampo. Tais dados representam uma queda de mais de 7% na cobertura esperada sem a pandemia de Covid-19.

A situação foi mais grave no Sul da Ásia, onde 3,6 milhões de doses de DTP e 2,2 milhões de doses de MCV deixaram de ser aplicadas em crianças – o que corresponde a uma queda aproximada de 13% e 4%, respectivamente, em relação ao que seria esperado sem a crise de saúde global do coronavírus.

Mesmo em países de alta renda, o número de crianças não imunizadas com vacinas de rotina mais que dobrou devido à pandemia no ano passado. No total, essas nações perderam 1,2 milhão de doses de DTP, sendo que, em um cenário sem Covid-19, essa perda seria de 600 mil. Além disso,1,5 milhão de aplicações de MCV nunca foram administradas, sendo que, sem o coronavírus, seriam desperdiçadas 700 mil doses.

Na África Subsaariana, a situação também não foi boa: a imunização infantil de rotina caiu em 4% devido à pandemia. Isso corresponde a 900 mil crianças sem vacina DTP e 1,1 milhão sem MCV. Se comparada a outras regiões, a interrupção nos serviços de vacinação rotineiros por lá foi menor, porém, o risco de surtos ainda pode permanecer alto, uma vez que a área já tinha uma baixa cobertura vacinal antes da pandemia se alastrar.

Ao longo do tempo, os pesquisadores notaram, porém, uma variação nos resultados globais. Em abril de 2020, houve um pico na quantidade de crianças não vacinadas com DTP ou MCV, com a cobertura dessas vacinas caindo mais que 30%. Contudo, no segundo semestre de 2020, o mundo mostrou sinais de recuperação, com o número de doses alcançando a expectativa prevista sem a Covid-19.

Diante disso, os cientistas recomendam que as duas vacinas não sejam esquecidas durante a pandemia, até porque, antes da crise de saúde global, a situação já era crítica. “Embora as taxas de vacinação estejam se recuperando, simplesmente retornar aos níveis pré-pandêmicos de cobertura vacinal ainda deixará milhões de crianças em risco de doenças evitáveis ​​por vacinação ,que representam uma séria ameaça à sua saúde e sobrevivência”, alerta Kate Causey, pesquisadora que liderou o estudo, em comunicado.

Galileu