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Para integrante da CPI, áudio de Ramos mostra ‘constrangimento’ em contrariar Bolsonaro sobre vacina

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A declaração do ministro da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos, de que tomou “escondido” a vacina contra a covid-19 repercutiu entre os senadores que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia. O senador Otto Alencar (PSD-BA) disse que o áudio revelou o “constrangimento” do ministro ao se imunizar. Na visão do parlamentar, Ramos parecia não querer contrariar o presidente Jair Bolsonaro. Por conta disso, o senador disse que fará um apelo, no âmbito da CPI, para que o chefe do Executivo tome a vacina como forma de “dar o exemplo”.

“Todos os presidentes, os estadistas do mundo, tomaram a vacina para dar o exemplo e recomendaram o mesmo, participaram de ações do tipo. O presidente francês fez isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez isso. O Bolsonaro não [fez isso], não tomou a vacina, não usa a máscara. A vacina é o remédio mais barato, custa dez dólares, muito mais barato do que um leito de UTI. O áudio mostra que o Ramos não contou que se vacinou para não contrariar o chefe, por constrangimento. Eu faço um apelo ao presidente para que ele tome a vacina. Espero que, no âmbito da CPI, a gente consiga convencê-lo a tomar a vacina”, disse.

Otto Alencar admitiu que a decisão do Bolsonaro tem impacto sobre seus eleitores. “Quando um líder não toma a vacina, seus liderados também não tomam”, afirmou. O senador evitou, no entanto, falar em qualquer responsabilização do presidente da República neste momento. “Isso [responsabilização do presidente] cabe à CPI, não cabe a mim dizer”, complementou. O senador do PSD também rechaçou a possibilidade de convocação do ministro por parte da CPI.

Mais cedo, o Valor apurou que o áudio do Ramos foi interpretada por membros da CPI como “mais um indício” de que Bolsonaro é o elemento central da política antivacina conduzida pelo Palácio do Planalto.

Ramos não sabia que a reunião estava sendo transmitida ao vivo e disse que tentava convencer o próprio presidente a tomar o imunizante. “Estou envolvido pessoalmente tentando convencer o nosso presidente, independente de todos os posicionamentos, que nós não podemos perder o presidente para um vírus desse. A vida dele, no momento, corre risco, ele tem 65 anos [na verdade, 66]”, afirmou o ministro, durante reunião do Conselho de Saúde Suplementar, sem saber que o áudio estava aberto ao público.

Na avaliação de fontes próximas aos comando da CPI, o fato evidencia que Bolsonaro é a principal “resistência à vacina” dentro do Executivo. Outra interpretação feita por integrantes da comissão de inquérito é que a política de vacinação, adotada pelo governo apenas recentemente, “não para em pé”. “Ramos pode ser mais uma prova disso”, disse uma fonte.

1 de 1 Otto Alencar — Foto: Reprodução/TV Senado

Otto Alencar — Foto: Reprodução/TV Senado

Fonte: Valor Econômico