ciência

Pessoas trans em terapia hormonal desconhecem risco de doenças cardíacas

21views
Bandeira do orgulho transgênero possui listras azuis, rosa e branca; estudo mostra que terapias de conversão podem aumentar as taxas de suicídio entre pessoas trans (Foto: Flickr/Ted Eytan/Creative Commons)
Transgêneros podem estar mais propensos a ter problemas cardíacos por falta de exames adequados (Foto: Flickr/Ted Eytan/Creative Commons)

Segundo pesquisa preliminar que será apresentada no American Heart Association’s Scientific Sessions 2020, encontro científico marcado para os dias 13 a 17 de novembro, muitas pessoas transgênero que recebem terapia hormonal não sabem que têm fatores de risco para doenças cardíacas, como hipertensão e colesterol alto.

Kara J. Denby, autora principal do estudo e profissional da Fundação Clínica de Cleveland, em Ohio, nos Estados Unidos afirma, em nota, que pesquisas anteriores mostraram que indivíduos transgêneros são menos propensos a acesar o sistema de sáude por vários razões, incluindo medo de maus-tratos.

“Uma vez que os indivíduos trans frequentam constantemente o médico para fazer terapia hormonal, este parece um momento oportuno para rastrear os fatores de risco cardiovascular e tratar doenças não diagnosticadas anteriormente que podem levar a resultados ruins de saúde no futuro”, diz Denby.

Os pesquisadores examinaram fatores de risco e o histórico médico de mais de 400 adultos que procuraram por atendimento ao transgênero. Foi descoberto que 6,8% dos pacientes tinham pressão alta não diagnosticada e outros 11,3% sofriam com colesterol alto mesmo sem saber. 

Daqueles já diagnosticados com hipertensão, mais de um terço não estava recebendo o tratamento recomendado. E, daqueles que já tinham conhecimento sobre o colesterol, mais de três quartos não estavam sendo tratados.

“Quando calculamos o risco de desenvolver um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral em 10 anos, o risco para homens e mulheres trans foi maior do que o relatado para um norte-americano médio com a mesma idade e gênero”, afirma Denby. “Também descobrimos que, mesmo nos indivíduos de maior risco, muitos não estavam recebendo o tratamento recomendado.”

Além disso, os pesquisadores descobriram que mais da metade dos participantes do estudo (56,5%) haviam sido diagnosticados anteriormente com um transtorno de saúde mental, como ansiedade ou depressão, que também está associado a um risco aumentado de doença cardíaca.

Galileu