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Primeira epidemia de vírus ancestral do Sars-CoV-2 ocorreu há 21 mil anos

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Vírus ancestral do Sars-CoV-2 existiu há 21 mil anos (Foto: Pixabay)

Vírus ancestral do Sars-CoV-2 existiu há 21 mil anos (Foto: Pixabay)

No século 21, a humanidade foi exposta e ameaçada pelos vírus do subgênero Sarbecovirus duas vezes: durante o surto de 2002 a 2004, causado pelo Sars-CoV-1, e desde 2020, com a pandemia de Covid-19 desencadeada pelo Sars-CoV-2. Agora, cientistas descobriram que o ancestral comum mais recente dos Sarbecovirus existiu há mais de 21 mil anos — o que o torna cerca de 30 vezes mais velho do que os estudos anteriores apontavam.

A conclusão foi publicada nesta quinta-feira (2) no periódico científico Current Biology. “Nossa estimativa de mais de 21 mil anos atrás baseia-se em informações virais sequenciadas e está em concordância com uma análise recente de genômica humana, que sugere infecção com um coronavírus antigo por volta da mesma época”, afirma, em nota, Mahan Ghafari, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Para realizar esse cálculo, os pesquisadores observaram a taxa de evolução de vírus, que costuma ser elevada em curtas escalas de tempo. Mas, ao analisarmos o cenário de forma mais ampla, percebemos que esse índice desacelera com o tempo. Isso porque os agentes precisam se manter altamente adaptados aos hospedeiros para sobreviver, o que impõe restrições na possibilidade de acumular uma série de mutações.

“Nós desenvolvemos um novo método que consegue recuperar a idade dos vírus em escalas de tempo mais longas e corrigir um tipo de ‘relatividade evolutiva’, no qual a taxa aparente de evolução depende da escala temporal da medição”, explica Ghafari. Trata-se também da primeira vez que uma pesquisa recriou, com sucesso, os padrões de declínio desse índice em vírus.

O estudo demonstra que agora há uma ferramenta para consertar a falha de alguns modelos evolutivos que não foram capazes de avaliar com precisão a divergência entre espécies de vírus ao longo dos anos. Daqui em diante, será possível reconstruir a história evolutiva não apenas de agentes relacionados ao Sars-CoV-2, mas de uma variedade de outros vírus de DNA e RNA de períodos mais remotos.

O artigo também menciona que a origem do vírus da hepatite C, conhecido como HCV, remonta à época anterior da migração humana para fora da África. A partir dessa informação, pode-se considerar a hipótese de que a disseminação desse parasita pelo mundo foi um processo intrínseco da expansão ocorrida há 150 mil anos. Além disso, esse dado pode explicar, por exemplo, a distribuição global dos diferentes genótipos do HCV.

“Com a nossa nova técnica poderemos olhar de maneira mais abrangente para outros vírus, reavaliar as escalas de tempo da sua evolução e obter informações sobre relações de hospedeiro que são chave para entendermos sua capacidade de causarem doenças”, conclui Peter Simmonds, da Universidade de Oxford.

Galileu