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Quem foi Emílio Ribas, sanitarista brasileiro que combateu a febre amarela

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Emílio Ribas, um dos pais do sanitarismo brasileiro (Foto: Reprodução)
Emílio Ribas, um dos pais do sanitarismo brasileiro (Foto: Reprodução)

O médico sanitarista Emílio Marcondes Ribas, que dá nome a um dos principais institutos de infectologia do Brasil, em São Paulo, foi um dos pioneiros da medicina preventiva no país. Responsável por comprovar que a febre amarela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, é considerado um dos pais do sanitarismo brasileiro, ao lado de Adolfo Lutz, Oswaldo Cruz e Vital Brazil. Também foi um dos idealizadores do Instituto Butantan, que hoje é responsável por fabricar a vacina Coronavac, contra a Covid-19, no Brasil.

Emílio Ribas nasceu em 11 de abril de 1862 na cidade de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Interessado pela medicina, foi estudar na então capital federal, o Rio de Janeiro, onde concluiu a graduação em 1887. De volta a São Paulo, atuou como clínico geral no interior, até ingressar no Serviço Sanitário para combater epidemias de febre amarela e peste bubônica.

Morreu aos 63 anos, em São Paulo, no dia 19 de dezembro de 1925, de causas naturais. Pouco antes, profetizou para estudantes de medicina que não considerava que a luta contra a febre amarela acabaria tão cedo: “Não é fora de propósito supor que amanhã seus filhos ainda tenham de combater esse terrível pernilongo.”

Relembre a carreira do médico:

Combate à febre amarela
Depois de um período atuando como clínico na cidade de Santa Rita do Passa Quatro, no interior paulista, Ribas foi nomeado inspetor sanitário em 1895. Era um período em que várias epidemias assolavam a região, principalmente a de febre amarela. No ano seguinte, foi nomeado diretor-geral do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo.

Suas experiências no combate à febre amarela o levaram a acreditar que a doença era transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Conseguiu comprovar por meio de experiências científicas em conjunto com o médico Adolfo Lutz, do Instituto Bacteriológico do Estado de São Paulo. O resultado dos estudos foi publicado em 1901, no artigo O Mosquito considerado como Agente da Propagação da Febre Amarela.

Por muito tempo, essa ideia foi contestada pela classe médica e imprensa. Após críticas, o especialista decidiu comprovar de vez: em 1903, junto a outros voluntários, deixou-se picar pelo mosquito e contraiu a doença, provando definitivamente sua teoria. No ano seguinte, graças aos seus esforços, a doença foi erradicada no estado de São Paulo.

Peste bubônica e o Instituto Butantan
Um surto de peste bubônica começou a se propagar no Brasil a partir do Porto de Santos, em 1899. Na época, Ribas já dirigia o Serviço Sanitário do Estado. Uma de suas primeiras ações foi coordenar uma campanha de promoção a higiene pessoal e saneamento da cidade, com o objetivo de reduzir os casos. Uma das pessoas acometidas pela doença foi o médico sanitarista Vital Brazil. Ribas o tratou diretamente, e da relação médico-paciente surgiu uma amizade que durou a vida toda.

Foi Emílio Ribas quem alertou o Estado da importância de fabricar localmente o soro antipestoso, até então importado. Então, o governo comprou, no dia 24 de dezembro de 1899, uma fazenda nos arredores da capital. Foi nessa área que Vital Brazil fundou o que viria a se chamar Instituto Butantan.

Tuberculose
Entre 1908 e 1909, Emílio Ribas viajou para Estados Unidos e Europa a fim de estudar a profilaxia contra a tuberculose. Neste período, num momento em que havia voltado para o Brasil, Ribas constatou que o clima de um pequeno vilarejo na Serra da Mantiqueira seria propício para tratar a doença. Lá, fundou um sanatório e ajudou a idealizar a estrada de ferro que facilitaria o transporte dos pacientes.

Em 1926, a vila sanitária contra a tuberculose foi oficialmente reconhecida como Prefeitura Sanitária de Campos do Jordão. O nome foi uma homenagem ao primeiro proprietário das terras à margem do Rio Imbiri, o Brigadeiro Manuel Rodrigues Jordão.

Galileu