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Reintrodução de diabos-da-tasmânia em ilha expulsou 6 mil pinguins

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6 mil pinguins-azuis desapareceram da Ilha Maria, na Austrália, após reintrodução de diabos-da-tasmânia (Foto: JJ Harrison/Wikimedia Commons)
6 mil pinguins-azuis desapareceram da Ilha Maria, na Austrália, após reintrodução de diabos-da-tasmânia (Foto: JJ Harrison/Wikimedia Commons)

Em 2012, 28 diabos-da-tasmânia foram enviados à Ilha Maria, ao leste da Tasmânia para estabelecer uma população livre do tumor facial que, há mais de duas décadas, ameaça a sobrevivência do marsupial. Junto a reintroduções realizadas em outros locais australianos, o objetivo de preservar a espécie até deu sinais de que funcionaria na ilha. Mas a presença dos diabos também gerou consequências para outros animais, como para um grupo do menor pinguim do mundo.

De acordo com a organização BirdLife Tasmania, 3 mil pares de pinguins-azuis desapareceram da ilha após a reinserção do demônio-da-tasmânia, ação que trouxe um impacto “catastrófico em uma ou mais espécies de aves”. Para Eric Woehler, pesquisador da instituição, o resultado não foi inesperado, uma vez que relatórios já haviam sugerido possíveis efeitos negativos sobre colônias de pinguins e de pardelas, outro tipo de ave marinha que sumiu.

Diabo-da-tasmânia expulsou grupo de pinguins e pardelas da Ilha Maria, na Austrália (Foto: Mathias Appel/Wikimedia Commons)
Diabo-da-tasmânia expulsou grupo de pinguins e pardelas da Ilha Maria, na Austrália (Foto: Mathias Appel/Wikimedia Commons)

“Está muito claro que os diabos tiveram um impacto ecológico catastrófico na fauna de aves na Ilha Maria”, disse Woehler à BBC. “Perder 3 mil pares de pinguins de uma ilha que é um parque nacional e deveria ser basicamente um refúgio para esta espécie é um grande golpe.”

A movimentação na vida animal da ilha acontece principalmente devido ao comportamento predatório do diabo-da-tasmânia, que em alguns lugares como na Austrália continental inclusive ajuda no controle de gatos selvagens e raposas.

Em 2016, a população dos marsupiais vivendo na ilha era de ao menos 100 espécimes. Para Woehler, remover os animais de lá não significaria, hoje, um risco grande à proteção da espécie, considerada em perigo de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Outras iniciativas têm mostrado que é possível preservar a espécie de formas mais sustentáveis, como o recente nascimento de filhotes em uma mata do continente australiano após 3 mil anos.

Galileu