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Russos transformam pesticida em tratamento contra bactérias super-resistentes

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Russos transformam pesticida em tratamento contra bactérias super-resistentes (Foto: Pexels)
Russos transformam pesticida em tratamento contra bactérias super-resistentes (Foto: Pexels)

Cientistas da Universidade Federal Immanuel Kant do Báltico, na Rússia, criaram um tratamento contra bactérias super-resistentes a antibióticos a partir de um pesticida tóxico e cancerígeno. O feito foi postado na edição de outubro do periódico Antibiotics.

Os pesquisadores estudaram um conjunto de compostos conhecidos como heteroaromáticos de nitrogênio com um grupo nitro. Em testes, a substância OTB-021 funcionou bem contra cepas de patógenos causadores da tuberculose, mas foi impotente contra cepas de microrganismos que pertencem ao chamado “Eskape” — grupo das espécies bacterianas que mais frequentemente desenvolvem resistência a antibióticos (Enterococcus faecium, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa e Enterobacter aerogenes).

Para entender como deveriam modificar o composto para que pudesse agir sobre essas bactérias patogênicas, os cientistas construíram duas séries isoméricas (idênticas no arranjo atômico) baseadas no OTB-021. Os grupos amino laterais mudaram de posição para tornar o núcleo, rico em nitrogênio aromático, mais compacto, visando reduzir a toxicidade da substância.

Em testes, os estudiosos descobriram que as bactérias do grupo Eskape foram facilmente suprimidas pelas novas substâncias. Segundo eles, a concentração mínima necessária para que o composto restrinja o crescimento de microrganismos é próxima à presente em outros antibióticos.

“Partindo da estrutura do antimicobacteriano OTB-021, que não tem atividade contra patógenos Eskape, desenvolvemos, sintetizamos e testamos duas séries isoméricas de novos análogos com um grupo amino que muda sua posição na estrutura”, explicou Mikhail Krasavin, coautor do estudo, em comunicado. “Esses compostos podem inibir o crescimento de todos os patógenos do grupo Eskape e, provavelmente, ajudarão a desenvolver novos medicamentos eficazes contra doenças bacterianas que às vezes são muito difíceis de tratar.”

Galileu