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Sara Winter organiza atos contra aborto em menina de 10 anos vítima de estupro

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Com mais de 170 mil menções a seu pseudônimo, a militante bolsonarista conhecida como Sara Winter tornou-se neste domingo (16.ago.2020) um dos assuntos mais comentados do Twitter.

O motivo: a autoproclama ex-feminista convocou por meio das redes sociais ato em frente ao hospital onde uma criança de 10 anos, vítima de estupro, foi internada para realizar 1 abortamento. A jovem está na 22ª semana de gravidez.

Cerca de 20 manifestantes se reuniram no local. Atacaram verbalmente a equipe médica. Chamaram os funcionários de “assassinos”. Por volta das 16h, a Polícia Militar conteve o grupo, que tentou invadir as dependências do hospital.

A família da jovem optou por manter em sigilo o endereço do centro clínico. Sara utilizou sua plataforma para divulgar o endereço e o nome da criança, que sofria violência sexual desde os 6 anos.

O Poder360 optou por esconder o nome da vítima na publicação de Sara Winter. O tweet da ativista foi apagado

A divulgação é uma violação do Artigo 17 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que assegura a preservação da identidade da criança. Procurada, Sara não revelou quem forneceu-lhe os dados sobre a menina de 10 anos.

Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais”, diz a legislação vigente.

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Sara também estimulou o linchamento virtual do médico envolvido no procedimento. “Babando para torar a vida de mais 1 bebê”, disse ela. A bolsonarista já foi coordenadora de atenção à gestante do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.

“ASSASSINA”

Outro termo que chegou ao topo dos trending topics do Twitter foi “ASSASSINA” (em caixa alta). Na rede social, os internautas dividiram-se entre manifestar apoio à vítima e acusá-la de 1 crime.

A ativista do direito das mulheres negras Stephanie Ribeiro comentou sobre a culpabilização de vítimas de estupro. “Percebam que no Brasil uma criança estuprada que faz 1 aborto para seu bem-estar físico e psicológico é chamada de assassina. Mas alguns homens adultos acusados de estupros ou mesmo presos por feminicídio, para muitos são meninos mal compreendidos“, escreveu.

Repercussão

O deputado Filipe Barros (PSL-PR) disse que “não se resolve 1 crime, cometendo outro“. “Os traumas [da menina de 10 anos] não serão apagados assassinando aquela criança […] que está em seu ventre. Parabéns aos cristão […] que estão em frente ao hospital […], intercedendo e tentando salvar as duas vidas.

A apresentadora Titi Muller comparou o caso da menina de 10 anos a 1 episódio da série de TV norte-americana The Handmaid’s Tale. “O tamanho do meu nojo desse pesadelo distópico que a gente vive é indescritível. Então uma criança é estuprada desde os 6, engravida do pedófilo e agora é exposta e chamada de assassina por prezar pela própria vida em uma gravidez inviável em todos os sentidos.”

O economista Joel Pinheiro da Fonseca destacou a necessidade do respeitas às liberdades individuais. “Não é nem uma discussão sobre se você deve ou não apoiar o aborto. É apenas sobre ter o mínimo de compaixão com essa menina que foi violentada. Se você não tem isso, conclui-se que também não se importa com a vida humana que diz enxergar no feto. O interesse é outro.”

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Poder360