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Descobri que nunca o(a) conheci | Soberba, humildade e caráter

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Ao longo da vida, vamos aprendendo que, na verdade, não conhecemos as pessoas, como, por vezes, pensamos conhecer.

Perdi a conta de quantas vezes ouvi pessoas dizerem: “morei 10 anos com essa pessoa e nunca a conheci de verdade”.

As pessoas revelam-se de acordo com as circunstâncias. Em alguns casos, as pessoas revelam aquilo que de fato pareciam ser. Em outros casos, contudo, revelam o oposto.

Há uma frase muita conhecida que afirma “Dê poder ao ser humano e saberá quem ele é”.

Eu costumo dizer: você não saberá quem a pessoa é, enquanto ela estiver precisando de você. Se um dia você precisar dela, conhecerá o seu verdadeiro caráter.

Que tipo de poder estamos falando? O poder nem mesmo precisa de ser grandioso ou significativo.

Talvez você já tenha ouvido falar acerca da “síndrome do pequeno poder”. É aquela situação ridícula em que determinado tipo de ser humano infla seu frágil ego e afoga-se em seu lago de soberba, mesmo que se trate de uma superioridade medíocre e passageira.

Em alguns casos, basta uma simples promoção no trabalho. Em outros, uma condição em que alguém precise de sua ajuda.

Como já dito, situações passageiras em que você dependa de alguém, por mais insignificante que seja, poderá revelar-te o verdadeiro caráter dessa pessoa.

Até mesmo ao classificar alguém como “humilde”, podemos estar errando. Às vezes, a pessoa não é, verdadeiramente, humilde, apenas, comporta-se em uma aparente humildade, por não ter poder ou razão para se comportar de outro modo.

Tive algumas pessoas por humildes, que me decepcionaram quando progrediram. Tais pessoas não perderam a humildade, pois nunca a tiveram. Há pessoas que se comportam humildemente, por nunca terem tido a oportunidade de exercerem sua soberba contida.

Também percebemos que algumas pessoas são humildades e simpáticas com determinadas pessoas e arrogantes com outras. Sim. Já vi pessoas cordiais, gentis e amáveis com quem tem algo a oferecer ou a ostentar, mas que menosprezam e humilham aqueles que estão em condição inferior – ou supostamente inferior.

Sim. Eu reparo como você trata o zelador do prédio e os funcionários da limpeza. Isso é revelador para mim. Coloco-me no lugar desses dignos trabalhadores e, sinceramente, odiaria estar limpando o lugar que você mora e ser tido como uma espécie inferior.

Por outro lado, há até mesmo aqueles que acusam falsamente os outros de arrogância, quando, na verdade, se tivessem poder econômico ou qualquer outra forma de poder seriam infinitamente piores, em relação aqueles que elas acusam.

Sorte é conhecer e estar próximo daqueles que tem um bom caráter, independentemente das circunstâncias.

É muito bom ter ao lado aquela pessoa que não faz acepção de pessoas, que terá apreço por você, independentemente do que você tenha ou da posição que você ocupa. Essas pessoas valem ouro. Meu conselho é: mantenha-as por perto.

Se você conhece pessoas que bajulam e lisonjeiam os mais abastados e, ao mesmo tempo, discriminam e menosprezam os mais simples, cuide-se, trata-se, por óbvio, de uma relação perigosa.

Não seja amado por seu cargo, por suas posses ou por seu status. Isso porque, se você perder essas condições, você perderá tudo, incluindo os supostos amigos.

Adriano Martins Pinheiro é articulista e palestrante e coach | palestraspinheiro@gmail.com

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