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Sofisticado sistema hidráulico de mais de 2 mil anos é descoberto na Guatemala

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Sofisticado sistema hidráulico de 2 mil anos é descoberto em cidade maia. Acima: a antiga cidade de Tikal, situada na atual Guatemala (Foto: Wikimedia commons)
Sofisticado sistema hidráulico de 2 mil anos é descoberto em cidade maia. Acima: a antiga cidade de Tikal, situada na atual Guatemala (Foto: Wikimedia commons)

Os antigos habitantes da movimentada cidade maia de Tikal, situada na atual Guatemala, construíram sofisticados filtros de água usando materiais naturais importados de quilômetros de distância. A descoberta, realizada por cientistas da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, foi publicada na última quinta-feira (22) na revista Scientific Reports.

O sistema de purificação de água era feito de uma mistura de quartzo cristalino e zeólito (composto que consiste em silício e alumínio), que criavam uma “peneira molecular” natural — ambos os minerais são usados ​​na filtração de água até hoje. De acordo com os especialistas, o sistema era capaz de remover micróbios nocivos, compostos ricos em nitrogênio, metais pesados ​​como o mercúrio e outras toxinas da água.

Os maias criaram esse sistema de filtragem de água quase 2 mil anos antes de sistemas semelhantes serem usados ​​na Europa, tornando-o um dos mais antigos sistemas de tratamento de água desse tipo no mundo. “O que é interessante é que esse sistema ainda seria eficaz hoje e os maias o descobriram há mais de 2 mil anos”, afirmou Kenneth Barnett Tankersley, um dos pesquisadores, em comunicado.

Mapa mostra área de pesquisa (Foto: Tankersley et al./Scientific Reports)
Mapa mostra área de pesquisa (Foto: Tankersley et al./Scientific Reports)

A equipe rastreou o zeólito e o quartzo até cristas íngremes ao redor do Bajo de Azúcar, cerca de 29 quilômetros a nordeste de Tikal. Na antiga cidade maia, a zeólita foi encontrada exclusivamente no reservatório Corriental, a sudoeste do centro. Para os antigos habitantes, encontrar maneiras de coletar e armazenar água limpa era de fundamental, pois Tikal e outras cidades foram construídas sobre calcário poroso, o que dificultava o acesso a água potável em grande parte do ano, durante as secas sazonais.

“Provavelmente foi por meio de observação empírica muito inteligente que os antigos maias viram que esse material em particular estava associado à água limpa e fizeram algum esforço para carregá-lo de volta [para Tikal]”, explicou Nicholas Dunning, coautor do estudo. “Eles tinham tanques de decantação por onde a água fluía em direção ao reservatório antes de entrar nele. A água provavelmente parecia mais limpa e provavelmente tinha um gosto melhor também.”

Cientistas preparam equipamento para coletar amostras de sedimentos para a pesquisa (Foto: Liwy Grazioso Sierra)
Cientistas preparam equipamento para coletar amostras de sedimentos para a pesquisa (Foto: Liwy Grazioso Sierra)

Sistemas complexos de filtragem de água já haviam sido observados anteriormente em outras civilizações antigas, da Grécia, do Egito e do Sul da Ásia. Essa é a primeira vez, entretanto, que um sistema do tipo é encontrado no “Novo Mundo“.

“Os antigos maias viviam em um ambiente tropical e tinham que ser inovadores. Essa é uma inovação notável”, comentou Tankersley. “Muitas pessoas veem os nativos americanos no hemisfério ocidental como não tendo a mesma engenharia ou força tecnológica de lugares como Grécia, Roma, Índia ou China. Mas, quando se trata de gestão da água, os maias estavam milênios à frente.”

Galileu