ciência

Tecido de fungos é opção mais sustentável que couro animal e sintético

92views
Bolsa feita de couro fungoso, da marca sustentável Bolt Threads (Foto: Bolt Threads)
Bolsa feita de couro fungoso, da marca sustentável Bolt Threads (Foto: Bolt Threads)

Cientistas da Universidade de Viena, na Áustria, do Imperial College London, na Inglaterra, e da Universidade RMIT, na Austrália, desenvolveram um couro feito de fungos. O material tem potencial para ser o melhor substituto do couro animal e até mesmo o sintético em termos de sustentabilidade e custo. O artigo foi publicado nesta segunda-feira (7) revista Nature Sustainability.

O couro tradicional, feito de pele animal, envolve muitas consequênciais ambientais, como o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa associados à pecuária. O tratamento de couro bovino, conhecido como curtimento, costuma usar produtos químicos que podem contaminar o meio ambiente.

Já a produção de couro à base de fungos usa menos produtos químicos e libera menos carbono na atmosfera. Além disso, ele é biodegradável e pode ser descartado com segurança. “Temos a tendência de pensar no couro sintético [em geral feito de plástico], às vezes conhecido como ‘couro vegano’, como sendo melhor para o meio ambiente. No entanto, o couro tradicional pode ser eticamente questionável e os substitutos tanto do couro quanto do plástico têm problemas com a sustentabilidade ambiental”, disse, em nota, Alexander Bismarck, coautor do estudo e professor da Universidade de Viena e do Imperial College London.

(A) O couro de fundos após processamento; (b) bolsa, (c) pulseira de relógio e (d) sapato feitos de couro de fungos (Foto: Reprodução/www.imperial.ac.uk)
(A) O couro de fundos após processamento; (b) bolsa, (c) pulseira de relógio e (d) sapato feitos de couro de fungos (Foto: Reprodução/www.imperial.ac.uk)

O couro de fungos pode ser produzido por meio da reciclagem de subprodutos agrícolas e florestais de baixo custo, como a serragem. Eles servem como “matéria-prima” para o crescimento de micélio, uma massa de fios emaranhados que servem para levar nutrientes ao fungo.

Matéria prima: massa emaranhada de fios alongados de fungos, que crescem em uma folha (Foto: Imperial College London)
Matéria-prima: massa emaranhada de fios alongados de fungos, que crescem em uma folha (Foto: Imperial College London)

Um dos maiores desafios na produção desse couro é fazer folhas de micélio de boa qualidade, que exibam crescimento uniforme e espessura, cor e propriedades mecânicas consistentes. Em algumas semanas, a folha de fungo pode ser colhida e tratada com prensagem e reticulação para produzir um material com um toque semelhante ao couro animal. Esse tecido consiste principalmente em biopolímeros biodegradáveis ​​de quitina e glucano.

Os estudos do couro à base de fungos sugerem que esse novo material terá um papel considerável no futuro. “As roupas renováveis ​​e biológicas são um mercado em crescimento, e o couro fungoso está se tornando um promissor pioneiro na busca por roupas éticas e sustentáveis”, disse o também coautor da pesquisa, Mitchell Jones, da Universidade de Viena.

Galileu