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Vacina contra Zika criada por brasileiro nos EUA tem eficácia em animais

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Vacina contra Zika criada por brasileiro nos EUA tem eficácia em estudos pré-clínicos (Foto: UConn Photo)
Vacina contra Zika criada por brasileiro nos EUA tem eficácia em estudos pré-clínicos (Foto: UConn Photo)

Em 2015, quando o surto do vírus zika ganhou força no Brasil e foi classificado como epidemia, o biólogo Paulo Verardi estava no país visitando sua família. Depois, já de volta aos Estados Unidos, onde leciona na Universidade de Connecticut, Verardi continuou monitorando a situação e, vendo a gravidade da doença, decidiu desenvolver um imunizante.

A partir da sequência genética do vírus e de uma nova plataforma para desenvolvimento de vacinas desenvolvida pela sua equipe, o cientista testou diferentes candidatos a imunizantes que criassem partículas pseudovirais (VLPs, na sigla em inglês). Utilizar essas moléculas é uma boa estratégia porque elas se assemelham aos vírus, mas não são infecciosas, o que estimula o sistema imunológico a elaborar uma resposta similar àquela construída em uma infecção natural.

Entre cinco vacinas, os cientistas selecionaram uma para aplicar em ratos. A candidata escolhida foi a que, graças a mutações na sequência genética, leva a uma maior formação de VLPs do zika. A pesquisa, publicada em março no periódico Scientific Reports, mostra que os roedores que receberam apenas uma dose desenvolveram uma forte resposta imune e ficaram completamente protegidos da infecção pelo vírus zika.

Diante do sucesso inicial do trabalho, Verardi entrou com um pedido de patente provisória para a nova tecnologia de plataforma de vacina empregada no processo, que é baseada em um vetor viral. Conhecido como vírus vaccinia, o vetor foi modificado para expressar uma parte da sequência genética do vírus zika e produzir as VLPs necessárias.

Além do imunizante ter se mostrado eficaz em estudos pré-clínicos, as descobertas podem ser úteis para combater outros flavivírus — gênero do qual o vírus zika faz parte e inclui os causadores da dengue, da febre amarela e da febre do Nilo Ocidental. A identificação de quais mutações aumentam a expressão de VLPs do zika, por exemplo, podem contribuir para uma melhor produção de vacinas.

Verardi também destaca que ter estruturas e plataformas de desenvolvimento de imunizantes é importante para que o mundo seja capaz de lidar com novos surtos de doenças. “Vírus emergentes não vão parar de surgir tão cedo, então nós precisamos estar preparados”, observa o pesquisador, em nota. “Parte da preparação é continuar o desenvolvimento dessas plataformas”, conclui.

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