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Vencedores do Nobel cobram ação urgente do G-7 para conter crise climática

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“Sem uma ação transformadora nesta década, a humanidade está assumindo riscos colossais com o nosso futuro comum”. Esta é a mensagem central de uma carta enviada ao G-7, grupo que reúne as nações mais ricas do mundo, uma semana antes de uma reunião de cúpula do Reino Unido. A declaração é assinada por 126 ganhadores do Prêmio Nobel de várias áreas e cientistas renomados, que pedem ações urgentes aos líderes políticos.

“As sociedades correm o risco de mudanças irreversíveis em grande escala na biosfera da Terra”, dizem. “O tempo está se esgotando”, avisam.

A carta é assinada por Dalai Lama, Alice Munro, Joseph Stiglitz, José Ramos-Horta e cientistas como Thomas Lovejoy (United Nations Foundation), Johan Rockström (diretor do PIK), Partha Dasgupta (Universidade de Cambridge) e Steven Chu (Stanford University).

“O potencial de longo prazo da humanidade depende de nossa capacidade hoje de valorizar nosso futuro comum. Em última análise, isso significa valorizar a resiliência das sociedades e a resiliência da biosfera da Terra”, diz a carta.

A declaração pede aos líderes que reduzam pela metade as emissões de gases-estufa e revertam a perda de biodiversidade até 2030. Eles alertam para a necessidade de a humanidade estabelecer uma nova relação com o planeta.

A declaração foi feita pelo conselho da Primeira Cúpula do Prêmio Nobel “Nosso Planeta, Nosso Futuro”. O encontro é uma iniciativa da Fundação Nobel e organizada pela Academia Nacional de Ciências com o Potsdam Institute for Climate Impacte Research (PIK) e o Centro de Resiliência de Estocolmo.

“Nunca vimos um chamado tão alto e claro à humanidade de nossos estudiosos mais celebrados”, disse o climatologista sueco Johan Rockström, diretor do PIK. “Os riscos são colossais e a ação necessária, sem precedentes.”

O comunicado sugere sete propostas. A primeira é complementar o PIB com medidas do verdadeiro bem-estar das pessoas e da natureza. O segundo ponto sugere que “a escala dos desafios de hoje exigirá colaboração em larga escala entre pesquisadores, governo e empresas com foco na sustentabilidade global”.

A educação, dizem, deve incluir forte ênfase na natureza das evidências, no método e consensos científicos e as universidades devem incorporar urgentemente conceitos de administração planetária em seus currículos.

Em tecnologia de informação, recomendam que as sociedades devem agir urgentemente para combater a industrialização da desinformação e encontrar maneiras de aprimorar os sistemas de comunicação global a serviço de futuros sustentáveis.

Investidores e empresas devem adotar princípios para fazer com que os materiais recirculem ou regenerem e aplicar metas baseadas na ciência para todos os bens comuns globais e serviços ecossistêmicos essenciais. “As externalidades econômicas, ambientais e sociais devem ter um preço justo”, recomendam.

Os signatários dizem que é necessário maior investimento em redes internacionais científicas para permitir maior colaboração e incluir conhecimentos locais, indígenas e tradicionais.

“A pandemia demonstrou o valor da pesquisa básica para os formuladores de políticas e o público”, diz o comunicado. “O compromisso com o investimento sustentado em pesquisa básica é essencial. Além disso, devemos desenvolver novos modelos de negócios para o compartilhamento gratuito de todo o conhecimento científico”, dizem.

1 de 1 — Foto: Pixabay

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Fonte: Valor Econômico